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domingo, 21 de outubro de 2018
O DEVER DE CASA DOS PAIS
Quem
tem filho na escola percebe logo: o que mais se espera da família é
participação e mais participação. Não à toa, ela vive recebendo convites
para apresentações de artes, feiras de ciências, festas e eventos
esportivos. Sem falar das reuniões de praxe e das eventuais convocações
individuais. Tantas tentativas de aproximação têm razão de ser.
"Diferentes estudos mostram que a presença dos pais na educação dos
filhos é um dos maiores, senão o maior, fator ligado ao sucesso
escolar", diz Ernesto Martins Faria, economista e autor do portal
Estudando Educação, que reúne pesquisas na área. O especialista em
sistemas de avaliação de ensino José Francisco Soares completa: "A
probabilidade de isso ter efeito positivo no desempenho dos alunos é tão
alta que a busca de uma maior integração escola-família deve ser parte
decisiva de qualquer projeto educacional".
No fundo, ainda que de modo intuitivo, as famílias também sabem o que já
é consenso entre os educadores. Em uma pesquisa da Fundação Victor
Civita (FVC) com o Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial, que
sondou 840 pais de alunos da rede pública da cidade de São Paulo, os
entrevistados consideraram a própria participação na vida escolar do
filho como o terceiro fator mais importante para o professor ensinar
melhor, atrás de uma boa formação universitária e um salário
satisfatório. Na contramão de todas essas constatações, porém, as
famílias são cada vez menos presentes. Em outro estudo da FVC, que
traçou o perfil dos coordenadores pedagógicos, 78% deles disseram que há
pais que se interessam e se envolvem, sim, mas uma parcela
significativa nem sequer dá as caras na escola. O mais alegado empecilho
é a falta de tempo, já que tanto pais quanto mães hoje cumprem jornadas
de trabalho extensas e exaustivas.
Até quem tenta manter um sistema tête-à-tête nem sempre acerta no tom.
"As famílias que conseguem acompanhar a vida escolar do filho de maneira
adequada, infelizmente, não são a maioria", estima a psicopedagoga
Nívea Fabrício, conselheira da Associação Brasileira de Psicopedagogia e
diretora do Colégio Graphein, em São Paulo. Na pesquisa da FVC com pais
paulistanos, o que foi aprendido em aula e a lição de casa só aparecem
em quarto e quinto lugares do ranking de assuntos abordados nos papos
com os filhos sobre a escola. Nas três primeiras posições, estão brigas,
drogas e colegas de classe.
Se as famílias falam menos do que o desejado sobre assuntos que
interessam diretamente à aprendizagem, imagine ter uma participação mais
ativa. Uma análise dos micro-dados recentes do Sistema Nacional de
Avaliação da Educação Básica (Saeb), feita por Ernesto Faria a pedido de
CLAUDIA, mostrou que 94% dos docentes relacionam as dificuldades dos
seus alunos à falta de assistência e acompanhamento dos responsáveis nos
deveres de casa e nas pesquisas.
Segundo a coordenadora pedagógica do Colégio Equipe, em São Paulo,
Luciana Fevorin, é mais frequente que os pais de crianças na educação
infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental fiquem lado a lado
na hora da lição de casa do que os que têm filhos na segunda etapa do
fundamental e no ensino médio - estes procuram fazer uma observação
global do comportamento com os estudos. Sentar-se junto para assessorar
nas tarefas pode ser positivo desde que se respeitem certas regras.
Mas, mesmo quem não tem brechas na agenda para tanto pode contribuir com
a aprendizagem. "Existe uma ideia de que família presente é só aquela
que fica, diariamente, ao lado do filho para ajudar a fazer a lição,
informando, corrigindo, ensinando. Mas há outras formas efetivas de
participação", avisa a pedagoga Débora Vaz, diretora do Escola
Castanheiras, em Tamboré, na Grande São Paulo. "Até porque a
sistematização de conhecimentos é função da escola, não da família, que
deve apenas se preocupar em criar um ambiente rico e propício aos
estudos", afirma a socióloga Gisela Wajskop, diretora do Instituto
Singularidades, um dos mais bem avaliados cursos de formação de
professores.
Na prática, o papel da família inclui garantir um espaço adequado para a
realização das tarefas, dar acesso a fontes de pesquisa, fornecer os
materiais necessários, estabelecer com a criança ou o adolescente uma
rotina de estudos, cobrar pontualidade, concentração e capricho - até
solicitar que o trabalho seja refeito quando, visivelmente, foi
produzido só para se livrar da obrigação. Sua principal missão é
estimular o comprometimento e uma noção de responsabilidade. "Não se
trata de estar do lado no momento da lição para exigir a resposta
correta, mas de incentivar desde cedo atitudes coerentes em relação aos
estudos", ressalta Débora.
E isso não requer saber
os conteúdos ensinados em classe nem ter de reservar muito tempo. Um
telefonema durante o dia e uma checagem de cadernos ao chegar do
trabalho talvez sejam suficientes para quem quer começar a agir. Assim,
já será possível avaliar se seu filho tende a um perfil autônomo e
responsável ou se precisa de marcação cerrada - e, então, montar uma
estratégia personalizada.
Ainda que o trabalho não permita ir a todas as reuniões, a participação nas de pais e mestres é importante. São momentos de troca de informações e de travar acordos de expectativas e de procedimentos. "É necessário se informar sobre a realidade da escola e compartilhar com o filho os desafios dele. A criança precisa ver que os pais estão interessados em participar de sua vida", diz Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação.
Claro que a escola precisa fazer a parte dela, orientando os pais e evitando demandas impossíveis. Aliás, cabe às famílias vigiar isso - verificando, por exemplo, se as lições são protocolares, passadas mecanicamente e nem chegam a ser corrigidas. Recentemente, associações de pais dos Estados Unidos, da Espanha e da França manifestaram-se contra tarefas exaustivas, que, em vez de servir como instrumento para o desenvolvimento das crianças, funcionam como uma punição. Foi até lançado pelos americanos o movimento Healthy Homework Guidelines, em prol de deveres de casa estimulantes e não redundantes com o que já foi feito em sala de aula.
Na Prima Escola, em São Paulo, os deveres de casa tradicionais vira e mexe são substituídos por atividades culturais, como assistir a um documentário ou fazer palavras cruzadas. "Programar uma ida ao Museu da Língua Portuguesa é mais importante do que passar três páginas de exercícios para resolver em casa", defende a diretora, Edimara Lima. A especialista lamenta que as crianças e os jovens de hoje conheçam a Disney, mas, muitas vezes, nunca tenham ido a um teatro. "Por isso, a escola deve procurar ampliar a visão de mundo de seus alunos e incentivá-los a fazer conexões entre as diferentes áreas de conhecimento."
Os pais, por sua vez, também podem - e devem - colaborar para aumentar a bagagem cultural do filho. E isso produz um impacto altamente positivo. Uma família que frequenta unida museus, cinemas, livrarias e teatros transmite a mensagem de que o conhecimento é um bem valioso, ajudando a construir bases sólidas para uma aprendizagem mais significativa. Do mesmo modo, é essencial participar dos eventos artísticos e esportivos organizados pela escola. Até porque é uma maneira de os pais criarem uma proximidade maior com o ambiente escolar do filho, o que os torna ainda mais aptos para conversar sobre todas as questões que ocorrem ali.
A educadora Luciana Fevorin enfatiza que, nas chances de falar sobre a escola ou de estar nela, a família deve observar o tipo de vínculo estabelecido pela criança ou pelo adolescente com o ato de aprender. "Os pais precisam ver se o filho aceita desafios ou se intimida diante deles, se lida bem com correções, se é muito exigente consigo mesmo ou, pelo contrário, faz qualquer coisa para se livrar das tarefas e o que diz sobre professores e amigos", explica. Nem é tanto assim, até para a mãe que tem carreira e é muito ocupada.
1. Não caia na tentação de resolver todas as dúvidas que a criança encontrar sem nem deixá-la pensar e praticamente fazendo a tarefa em seu lugar. A lição de casa é um momento para ela exercer a autonomia.
2. Cuidado com o perfeccionismo: não queira corrigir tudo. Arrumar erros de grafia de palavras, por exemplo, pode atropelar as etapas de alfabetização. Em qualquer série, isso impedirá que o professor note as dificuldades de seu filho e intervenha de forma adequada.
3. Estimule o raciocínio. Ou seja, em vez de dar respostas prontas para as perguntas que surgirem, exponha exemplos que façam a criança pensar e tirar as próprias conclusões.
4. Evite críticas, porque interferem na autoestima e criam inseguranças.
Ainda que o trabalho não permita ir a todas as reuniões, a participação nas de pais e mestres é importante. São momentos de troca de informações e de travar acordos de expectativas e de procedimentos. "É necessário se informar sobre a realidade da escola e compartilhar com o filho os desafios dele. A criança precisa ver que os pais estão interessados em participar de sua vida", diz Priscila Cruz, diretora-executiva do Movimento Todos pela Educação.
Claro que a escola precisa fazer a parte dela, orientando os pais e evitando demandas impossíveis. Aliás, cabe às famílias vigiar isso - verificando, por exemplo, se as lições são protocolares, passadas mecanicamente e nem chegam a ser corrigidas. Recentemente, associações de pais dos Estados Unidos, da Espanha e da França manifestaram-se contra tarefas exaustivas, que, em vez de servir como instrumento para o desenvolvimento das crianças, funcionam como uma punição. Foi até lançado pelos americanos o movimento Healthy Homework Guidelines, em prol de deveres de casa estimulantes e não redundantes com o que já foi feito em sala de aula.
Na Prima Escola, em São Paulo, os deveres de casa tradicionais vira e mexe são substituídos por atividades culturais, como assistir a um documentário ou fazer palavras cruzadas. "Programar uma ida ao Museu da Língua Portuguesa é mais importante do que passar três páginas de exercícios para resolver em casa", defende a diretora, Edimara Lima. A especialista lamenta que as crianças e os jovens de hoje conheçam a Disney, mas, muitas vezes, nunca tenham ido a um teatro. "Por isso, a escola deve procurar ampliar a visão de mundo de seus alunos e incentivá-los a fazer conexões entre as diferentes áreas de conhecimento."
Os pais, por sua vez, também podem - e devem - colaborar para aumentar a bagagem cultural do filho. E isso produz um impacto altamente positivo. Uma família que frequenta unida museus, cinemas, livrarias e teatros transmite a mensagem de que o conhecimento é um bem valioso, ajudando a construir bases sólidas para uma aprendizagem mais significativa. Do mesmo modo, é essencial participar dos eventos artísticos e esportivos organizados pela escola. Até porque é uma maneira de os pais criarem uma proximidade maior com o ambiente escolar do filho, o que os torna ainda mais aptos para conversar sobre todas as questões que ocorrem ali.
A educadora Luciana Fevorin enfatiza que, nas chances de falar sobre a escola ou de estar nela, a família deve observar o tipo de vínculo estabelecido pela criança ou pelo adolescente com o ato de aprender. "Os pais precisam ver se o filho aceita desafios ou se intimida diante deles, se lida bem com correções, se é muito exigente consigo mesmo ou, pelo contrário, faz qualquer coisa para se livrar das tarefas e o que diz sobre professores e amigos", explica. Nem é tanto assim, até para a mãe que tem carreira e é muito ocupada.
PARCERIA AFINADA
Se você é daquelas mães que preferem (e podem) se sentar do lado do filho na hora de realizar a tarefa do dia, atenção para estas quatro dicas que vão ajudá-la a não ultrapassar os limites1. Não caia na tentação de resolver todas as dúvidas que a criança encontrar sem nem deixá-la pensar e praticamente fazendo a tarefa em seu lugar. A lição de casa é um momento para ela exercer a autonomia.
2. Cuidado com o perfeccionismo: não queira corrigir tudo. Arrumar erros de grafia de palavras, por exemplo, pode atropelar as etapas de alfabetização. Em qualquer série, isso impedirá que o professor note as dificuldades de seu filho e intervenha de forma adequada.
3. Estimule o raciocínio. Ou seja, em vez de dar respostas prontas para as perguntas que surgirem, exponha exemplos que façam a criança pensar e tirar as próprias conclusões.
4. Evite críticas, porque interferem na autoestima e criam inseguranças.
A CONTRIBUIÇÃO DA MÚSICA PARA O DESENVOLVIMENTO INFANTIL
A
música é um meio de expressão de ideias e sentimentos, mas também uma
forma de linguagem muito apreciada pelas pessoas. Desde muito cedo, a
música adquire grande importância na vida de uma criança. Você com
certeza deve lembrar de alguma música que tenha marcado sua infância e,
junto com essa lembrança, deve recordar as sensações que acompanharam
tal execução. Além de sensações, através da experiência musical são
desenvolvidas capacidades que serão importantes durante o crescimento
infantil.
Em
condições normais, os órgãos responsáveis pela audição começam a se
desenvolver no período de gestação e somente por volta dos onze anos de
idade é que o sistema funcional auditivo fica completamente maduro, por
isso a estimulação auditiva na infância tem papel fundamental. Sabe-se
que os bebês reagem a sons dentro do útero materno e que a música, desde
que apropriadamente escolhida, pode acalmar os recém-nascidos.
Vale
ressaltar a importância não apenas da música tocada através de um
aparelho, mas também o contato estabelecido entre a mãe e o bebê. Assim,
cantar, murmurar ou assobiar fornecem elementos sonoros e também
afetivos, através da intensidade do som, inflexão da voz, entonação,
contato de olho e contato corporal, que serão importantes para a
evolução do bebê no sentido auditivo, linguístico, emocional e
cognitivo.
Isso
ocorre também durante todo o desenvolvimento infantil, pois através da
música e de suas características peculiares, tais como ritmos variados e
estrutura de texto diferenciada, muitas vezes com utilização de rimas, a
criança vai desenvolvendo aspectos de sua percepção auditiva, que serão
importantes para a evolução geral de sua comunicação, favorecendo
também a sua integração social.
Quando
estão cantando, as crianças trabalham sua concentração, memorização,
consciência corporal e coordenação motora, principalmente porque,
juntamente com o cantar, ocorre com frequência o desejo ou a sugestão
para mexer o corpo acompanhando o ritmo e criando novas formas de dança e
expressão corporal.
Contudo,
não se deve esperar que apenas a escola estimule a criança. Deve-se, ao
contrário, oferecer a ela um leque variado de experiências musicais
para que perceba diferenças entre estilos, letras, velocidades e ritmos
(trabalhando assim a atenção e a discriminação auditiva) e permitir que
faça escolhas e sugira repetições, o que geralmente a criança pequena
faz com frequência, como forma de aprendizagem e recurso de memorização
(desta forma ela estará trabalhando a memória auditiva).
No
setor linguístico percebemos a possibilidade de estimular a criança a
ampliar seu vocabulário, uma vez que, através da música, ela se sente
motivada a descobrir o significado de novas palavras que depois
incorpora a seu repertório.
Todos
esses benefícios são estendidos não só à linguagem falada, mas também à
escrita, na medida em que boa percepção, bom vocabulário e conhecimento
de estruturas de texto são elementos importantes para ser bom leitor e
bom escritor.
E
então, você já está pensando em alguma música para cantar junto com seu
filho? O importante é respeitar interesses individuais e também
específicos de cada fase do desenvolvimento; assim, crianças pequenas
podem mostrar maior interesse por temas relacionados a super-heróis,
seres mágicos, animais, ou assuntos como amizade, medo etc.
Finalmente,
quero lembrar que ouvir música não deve ser uma atividade imposta e sim
realizada com prazer, pois somente assim os benefícios serão obtidos de
forma natural, como sempre deve ocorrer na relação entre pais e filhos.
Dica: CD´s infantis Palavra Cantada
O
selo Palavra Cantada traz a dupla musical formada pelos
instrumentistas, cantores, compositores e produtores Paulo Tatit e
Sandra Peres, especializados em música infantil. Quatro dos oito
trabalhos já lançados pela dupla, ganhou o prêmio Sharp de melhor álbum
infantil.
Discografia
- "Canções de Ninar" (1994) - que revolucionou o gênero com canções inéditas.
- "Canções de Brincar" (1996) - com composições da dupla em parceria com Arnaldo Antunes, Luiz Tatit e Edith Derdyk. Entre elas, os sucessos Sopa e Ora Bolas, ouvidas em pré-escolas de todo o país.
- "Cantigas de Roda" (1996) - deu uma roupagem atual às cantigas tradicionais da música brasileira.
- "Canções Curiosas" (1998) - um trabalho requintado de música, poesia e humor.
- Em 1999 foram produzidos dois álbuns de música com narração de histórias: "Mil Pássaros" em parceria com a escritora Ruth Rocha e "Noite Feliz", com histórias de Cândido de Alencar.
- (2001) CD-Livro - "Canções do Brasil - o Brasil cantado por suas crianças" - projeto que envolveu pesquisa e gravação de músicas infantis pelos 26 estados do país. Interpretadas por crianças locais, essas músicas ressaltaram as peculiaridades culturais de cada região.
- "Meu Neném" (2003) - álbum com composições próprias e do músico kalimbista Décio Gioielli, para crianças na faixa de 0 a 3 anos.
*Dra. Tânia Regina Bello
Psicopedagoga e Fonoaudióloga
SÍNDROME DE ASPENGER
A Síndrome de Asperger é um Transtorno Global do Desenvolvimento (TGD),
resultante de uma desordem genética, e que apresenta muitas semelhanças
com relação ao autismo.
Ao contrário do que ocorre no autismo, contudo, crianças com Asperger
não apresentam grandes atrasos no desenvolvimento da fala e nem sofrem
com comprometimento cognitivo grave. Esses alunos costumam escolher
temas de interesse, que podem ser únicos por longos períodos de tempo -
quando gostam do tema "dinossauros", por exemplo, falam repetidamente
nesse assunto. Habilidades incomuns, como memorização de sequências
matemáticas ou de mapas, são bastante presentes em pessoas com essa
síndrome.
Na infância, essas crianças apresentam déficits no desenvolvimento motor
e podem ter dificuldades para segurar o lápis para escrever. Estruturam
seu pensamento de forma bastante concreta e não conseguem interpretar
metáforas e ironias - o que interfere no processo de comunicação. Além
disso, não sabem como usar os movimentos corporais e os gestos na
comunicação não-verbal e se apegam a rituais, tendo dificuldades para
realizar atividades que fogem à rotina.
Como lidar com a Síndrome de Asperger na escola?
As recomendações são semelhantes às do autismo. Respeite o tempo de
aprendizagem do aluno e estimule a comunicação com os colegas. Converse
com ele de maneira clara e objetiva e apresente as atividades
visualmente, para evitar ruídos na compreensão do que deve ser feito.
Também é aconselhável explorar os temas de interesse do aluno para
abordar novos assuntos, ligados às expectativas de aprendizagem. Se ele
tem uma coleção de carrinhos, por exemplo, utilize-a para introduzir o
sistema de numeração. Ações que escapam à rotina devem ser comunicadas
antecipadamente.
OS FUNDAMENTOS DAS DEFICIÊNCIAS E SÍNDROMES
Conhecer o que afeta o seu aluno é o primeiro passo para criar estratégias que garantam a aprendizagem.
Você sabe o que é síndrome de Rett, síndrome de Williams ou surdo-cegueira?
Para receber os alunos com necessidades educacionais especiais pela
porta da frente, é preciso conhecer as características de cada síndrome
ou deficiência.
O primeiro passo é entender as diferenças entre os dois termos.
Deficiência é um desenvolvimento insuficiente, em termos globais ou
específicos, ou um déficit intelectual, físico, visual, auditivo ou
múltiplo (quando atinge duas ou mais dessas áreas). Síndrome é o nome
que se dá a uma série de sinais e sintomas que, juntos, evidenciam uma
condição particular. A síndrome de Down, por exemplo, engloba
deficiência intelectual, baixo tônus muscular (hipotonia) e dificuldades
na comunicação, além de outras características, que variam entre os
atingidos por ela.
Se você leciona para alguém com diagnóstico que se encaixa nesse quadro,
precisa saber que é possível ensiná-lo. "O professor deve se
comprometer e acompanhar seu desenvolvimento", afirma Mônica Leone
Garcia, assessora técnica da Secretaria Municipal de Educação de São
Paulo.
Conheça a seguir as definições e características das síndromes e deficiências mais frequentes na escola:
Deficiência física
- Definição: uma variedade de condições que afeta a mobilidade e a
coordenação motora geral de membros ou da fala. Pode ser causada por
lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, más-formações
congênitas ou por condições adquiridas. Exemplos: amiotrofia espinhal
(doença que causa fraqueza muscular), hidrocefalia (excesso do líquido
que serve de proteção ao sistema nervoso central) e paralisia cerebral
(desordem no sistema nervoso central), que exige dos professores
cuidados específicos em sala de aula (leia mais a seguir).
•- Características: são comuns as dificuldades no grafismo em
função do comprometimento motor. Às vezes, o aprendizado é mais lento,
mas, exceto nos casos de alteração na motricidade oral, a linguagem é
adquirida sem problemas. Muitos precisam de cadeira de rodas ou muletas
para se locomover. Outros apenas de apoios especiais e material escolar
adaptado, como apontadores, suportes para lápis etc.
•
- Recomendações: a escola precisa ter elevadores ou rampas. Fique
atento a cuidados do dia a dia, como a hora de ir ao banheiro. Nos
casos de hidrocefalia, é preciso observar sintomas como vômitos e dores
de cabeça, que podem indicar problemas com a válvula implantada na
cabeça.
Paralisia Cerebral
•- Definição: lesão no sistema nervoso central causada, na
maioria das vezes, por uma falta de oxigênio no cérebro do bebê durante a
gestação, ao nascer ou até dois anos após o parto. "Em 75% dos casos, a
paralisia vem acompanhada de um dano intelectual", acrescenta Alice
Rosa Ramos, superintendente técnica da Associação de Assistência à
Criança Deficiente (AACD), em São Paulo.
•- Características: a principal é a espasticidade, um
desequilíbrio na contenção muscular que causa tensão. Inclui
dificuldades para caminhar, na coordenação motora, na força e no
equilíbrio. Pode afetar a fala.
•- Recomendações: para contornar as restrições de coordenação
motora, use canetas e lápis mais grossos - uma espuma em volta deles
presa com um elástico costuma resolver. Utilize folhas avulsas, mais
fáceis de manusear que os cadernos. Escreva com letras grandes e peça
que o aluno se sente na frente. É importante que a carteira seja
inclinada. Se ele não consegue falar e não utiliza uma prancha própria
de comunicação alternativa, providencie uma para ele com desenhos ou
fotos por meio dos quais se estabelece a comunicação. Ela pode ser feita
com papel cartão ou cartolina, em que são colados figuras pequenas, do
mesmo material, e fotos que representem pessoas e coisas significativas,
como os pais, os colegas da classe, o time de futebol, o abecedário e
palavras-chave, como "sim", "não", "fome", "sede", "entrar", "sair" etc.
Para informar o que quer ou sente, o aluno aponta para as figuras e se
comunica. Ele precisa de um cuidador para ir ao banheiro e, em alguns
casos, para tomar lanche.
Deficiência Visual
- Definição: condição apresentada por quem tem baixa visão (em
geral, entre 40 e 60%) ou cegueira (resíduo mínimo da visão ou perda
total), que leva à necessidade de usar o braile para ler e escrever.
• - Características: a perda visual é causada em geral por duas
doenças congênitas: glaucoma (pressão intraocular que causa lesões
irreversíveis no nervo ótico) e catarata (opacidade no cristalino). Em
alguns casos, as doenças são confundidas com uma ametropia (miopia,
hipermetropia ou astigmatismo), que pode ser corrigida pelo uso de
lentes, o que permite o retorno total da visão. A catarata também pode
ser corrigida, mas só com cirurgia. "O aluno que não enxerga o colega a 2
metros nas brincadeiras, principalmente em espaços abertos, pode ter 5
ou 6 graus de miopia e não necessariamente baixa visão ou cegueira",
explica o oftalmologista Frederico Lazar, de São Paulo.
- Recomendações: promover a realização de exames de acuidade
visual na escola para identificar possíveis doenças - reversíveis ou não
- ou ametropias. Se o estudante não percebe expressões faciais, lide
com ele de maneira perceptiva, alterando, por exemplo, o tom de voz. As
atenções devem ser redobradas quando o assunto é orientação e
mobilidade. É preciso identificar os degraus com contraste (faixa
amarela ou barbante), os obstáculos, como pisos com alturas diferentes,
e, principalmente, os vãos livres e desníveis. A sinalização de marcos
importantes, como tabuletas indicando cada sala e espaço, é feita também
em braile. Uma ideia é trabalhar maquetes da escola para que o espaço
seja facilmente identificado.
Na sala de aula, é aconselhável não colocar mochilas no chão ou no
corredor entre as carteiras. Use materiais maiores e reconhecíveis pelo
tato. Aproxime os que têm baixa visão do quadro-negro, já que alguns
conseguem enxergar quando sentados na primeira carteira. Outros precisam
de equipamentos especiais. Para os que não conseguem ler o que está
escrito no quadro, há algumas possibilidades. "Traga o material já
escrito de casa e entregue a eles ou peça que os colegas, em sistema de
revezamento, os auxiliem na tarefa", explica a psicóloga Cecília
Batista, do Departamento de Desenvolvimento Humano e Reabilitação da
Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
(Unicamp).
Deficiência Auditiva
•- Definição: condição causada por má-formação na orelha, no
conduto (cavidade que leva ao tímpano), nos ossos do ouvido ou ainda por
uma lesão neuro-sensorial no nervo auditivo ou na cóclea (porção do
ouvido responsável pelas terminações nervosas). Tem origem genética ou
pode ser provocada por doenças infecciosas, como a rubéola e a
meningite. Também pode ser temporária, causada por otite.
- Características: pode ser leve, moderada, severa ou profunda.
"Quanto mais aguda, mais difícil é o desenvolvimento da linguagem", diz a
fonoaudióloga Beatriz Mendes, docente da Pontifícia Universidade
Católica (PUC), em São Paulo, que atua na Divisão de Educação e
Reabilitação dos Distúrbios da Comunicação (Derdic). Um exame
fonoaudiológico é capaz de identificar o grau da lesão.
•- Recomendações: há duas formas de o aluno com deficiência
auditiva desenvolver a linguagem. Uma delas é usar um aparelho auditivo e
passar por acompanhamento terapêutico, familiar e escolar. "Pessoas
surdas conseguem falar", ressalta Beatriz Mendes.
Para isso, tem de passar por terapia, receber novos moldes e próteses e
ter o apoio da família e do professor", complementa Beatriz Novaes,
docente da PUC e coordenadora do Centro Audição na Criança da Derdic, da
mesma universidade paulistana. Outro meio é aprender a língua
brasileira de sinais (Libras). O estudante que tem perda auditiva também
demora mais para se alfabetizar. Pedir que se sente nas carteiras da
frente pode ajudá-lo a aprender melhor. "Fale perto e de frente para
ele", destaca Beatriz Mendes. Aposte também no uso de recursos visuais e
na diminuição de ruídos - e tente o apoio e a integração por meio de um
intérprete de Libras.
Deficiência múltipla
- Definição: ocorrência de duas ou mais deficiências: autismo e
síndrome de Down; uma intelectual com outra física; uma intelectual e
uma visual ou auditiva, por exemplo. "Não há estudos que indiquem qual
associação de deficiência é a mais comum", afirma Shirley Rodrigues
Maia, diretora de programas educacionais da Associação Educacional para
Múltipla Deficiência (Ahimsa). Uma das mais comuns nas salas de aula é a
surdo-cegueira.
SURDO-CEGUEIRA
•
- Definição: perdas auditivas e visuais simultâneas e em graus
variados. As causas são principalmente doenças infecciosas, como
rubéola, toxoplasmose e citomegalovírus (doença da mesma família do
herpes). A diferença de um cego ou surdo para um surdo-cego é que este
não tem consciência da linguagem e, portanto, não aprende a se comunicar
de imediato.
•- Características: traz problemas de comunicação e mobilidade. O
surdo-cego pode apresentar dois comportamentos distintos: isola-se ou é
hiperativo.
•- Recomendações: o primeiro desafio é criar formas de
comunicação. Busque também integrar esse estudante aos demais e criar
rotinas previsíveis para que ele possa entender o que vai acontecer.
Ofereça objetos multissensoriais, que facilitam a comunicação.
Deficiência intelectual
•- Definição: funcionamento intelectual inferior à média (QI), que se
manifesta antes dos 18 anos. Está associada a limitações adaptativas em
pelo menos duas áreas de habilidades (comunicação, autocuidado, vida no
lar, adaptação social, saúde e segurança, uso de recursos da comunidade,
determinação, funções acadêmicas, lazer e trabalho). O diagnóstico do
que acarreta a deficiência intelectual é muito difícil, englobando
fatores genéticos e ambientais. Além disso, as causas são inúmeras e
complexas, envolvendo fatores pré, peri e pós-natais. Entre elas, a mais
comum na escola é a síndrome de Down.
SÍNDROME DE DOWN
•- Definição: alteração genética caracterizada pela presença de
um terceiro cromossomo de número 21. A causa da alteração ainda é
desconhecida, mas existe um fator de risco já identificado. "Ele aumenta
para mulheres que engravidam com mais de 35 anos", afirma Lília Maria
Moreira, professora de Genética da Universidade Federal da Bahia
(UFBA).
•- Características: além do déficit cognitivo, são sintomas as
dificuldades de comunicação e a hipotonia (redução do tônus muscular).
Quem tem a síndrome de Down também pode sofrer com problemas na coluna,
na tireoide, nos olhos e no aparelho digestivo, entre outros, e, muitas
vezes, nasce com anomalias cardíacas, solucionáveis com cirurgias.
•
- Recomendações: na sala de aula, repita as orientações para que o
estudante com síndrome de Down compreenda. "Ele demora um pouco mais
para entender", afirma Mônica Leone Garcia, da Secretaria Municipal de
Educação de São Paulo. O desempenho melhora quando as instruções são
visuais. Por isso, é importante reforçar comandos, solicitações e
tarefas com modelos que ele possa ver, de preferência com ilustrações
grandes e chamativas, com cores e símbolos fáceis de compreender. A
linguagem verbal, por sua vez, deve ser simples. Uma dificuldade de quem
tem a síndrome, em geral, é cumprir regras. "Muitas famílias não
repreendem o filho quando ele faz algo errado, como morder e pegar
objetos que não lhe pertencem", diz Mônica. Não faça isso. O ideal é
adotar o mesmo tratamento dispensado aos demais. "Eles têm de cumprir
regras e fazer o que os outros fazem. Se não conseguem ficar o tempo
todo em sala, estabeleça combinados, mas não seja permissivo." Tente
perceber as competências pedagógicas em cada momento e manter as
atividades no nível das capacidades da criança, com desafios gradativos.
Isso aumenta o sucesso na realização dos trabalhos. Planeje pausas
entre as atividades. O esforço para desenvolver atividades que envolvam
funções cognitivas é muito grande e, às vezes, o cansaço faz com que
pareçam missões impossíveis para ela. Valorize sempre o empenho e a
produção. Quando se sente isolada do grupo e com pouca importância no
trabalho e na rotina escolares, a criança adota atitudes reativas, como
desinteresse, descumprimento de regras e provocações.
TGD
•- Definição: os Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) são
distúrbios nas interações sociais recíprocas, com padrões de
comunicação estereotipados e repetitivos e estreitamento nos interesses e
nas atividades. Geralmente se manifestam nos primeiros cinco anos de
vida.
AUTISMO
•- Definição: transtorno com influência genética causado por
defeitos em partes do cérebro, como o corpo caloso (que faz a
comunicação entre os dois hemisférios), a amídala (que tem funções
ligadas ao comportamento social e emocional) e o cerebelo (parte mais
anterior dos hemisférios cerebrais, os lobos frontais).
•- Características: dificuldades de interação social, de
comportamento (movimentos estereotipados, como rodar uma caneta ou
enfileirar carrinhos) e de comunicação (atraso na fala). "Pelo menos 50%
dos autistas apresentam graus variáveis de deficiência intelectual",
afirma o neurologista José Salomão Schwartzman, docente da pós-graduação
em Distúrbios do Desenvolvimento da Universidade Presbiteriana
Mackenzie, em São Paulo. Alguns, porém, têm habilidades especiais e se
tornam gênios da informática, por exemplo.
•- Recomendações: para minimizar a dificuldade de relacionamento,
crie situações que possibilitem a interação. Tenha paciência, pois a
agressividade pode se manifestar. Avise quando a rotina mudar, pois
alterações no dia a dia não são bem-vindas. Dê instruções claras e evite
enunciados longos.
SÍNDROME DE ASPERGER
- Definição: condição genética que tem muitas semelhanças com o autismo.
•- Características: focos restritos de interesse são comuns.
Quando gosta de Matemática, por exemplo, o aluno só fala disso. "Use o
assunto que o encanta para introduzir um novo", diz Salomão
Schwartzman.
•- Recomendações: as mesmas do autismo.
SÍNDROME DE WILLIAMS
•
- Definição: desordem no cromossomo 7.
•- Características: dificuldades motoras (demora para andar e
falta de habilidade para cortar papel e andar de bicicleta, entre
outros) e de orientação espacial. Quando desenha uma casa, por exemplo, a
criança costuma fazer partes dela separadas: a janela, a porta e o
telhado ficam um ao lado do outro. No entanto, há um interesse grande
por música e muita facilidade de comunicação. "As que apresentam essa
síndrome têm uma amabilidade desinteressada", diz Mônica Leone Garcia.
•- Recomendações: na sala de aula, desenvolva atividades com música para chamar a atenção delas.
SÍNDROME DE RETT
•- Definição: doença genética que, na maioria dos casos, atinge meninas.
•-Características: regressão no desenvolvimento (perda de
habilidades anteriormente adquiridas), movimentos estereotipados e perda
do uso das mãos, que surgem entre os 6 e os 18 meses. Há a interrupção
no contato social. A comunicação se faz pelo olhar.
•- Recomendações: "Crie estratégias para que esse aluno possa
aprender, tentando estabelecer sistemas de comunicação", diz Shirley
Rodrigues Maia, da Ahim-sa. Muitas vezes, crianças com essa síndrome
necessitam de equipamentos especiais para se comunicar melhor e
caminhar.
Fonte: Revista Nova Escola
AUTORIDADE, COMO SE FAZ RESPEITAR?
Que as crianças precisam de regras e limites, isso é bem claro. Mas o
que aflige muitos pais é saber como fazer para que seus filhos obedeçam a
essas orientações. Em resumo: como exercer a autoridade paterna e
materna e como conquistar o respeito dos filhos. Em primeiro lugar, é
preciso fazer uma distinção: ter autoridade é bem diferente de ser
autoritário. O pai ou a mãe autoritários são aqueles que só conseguem
que suas ordens sejam obedecidas por meio da repressão, das ameaças e
até pelo uso da violência física ou verbal. Quem age assim pode até
conseguir que o filho obedeça naquele momento uma ordem. Mas não estará
educando: nada garante que a criança entenda porque precisa seguir
aquela regra e continue obedecendo quando os pais não estiverem por
perto. Já os pais que têm autoridade são aqueles que estabelecem
combinados com os filhos e têm persistência para cobrar que eles sejam
cumpridos, estabelecendo e aplicando conseqüências quando a criança
quebra as regras. Veja as dicas dos especialistas para se fazer
respeitar:
1. É de pequenino que se torce o pepino: Regras, limites e
responsabilidades devem ser dados às crianças desde bem pequenas. “É
preciso começar na primeira infância. Quanto mais tarde os pais deixam
para começar a aplicar regras e dar limites, mais difícil é conseguir
que as crianças obedeçam”, diz Quezia Bombonatto, presidente da
Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). Desde os dois ou três
anos as crianças já podem aprender tarefas como guardar seus próprios
brinquedos depois de usá-los.
2. Seja amigo, mas não deixe de ser pai ou mãe: Você pode e deve ser
amigo de seu filho, ouvir suas confidências, ser companheiro. Mas isso
não significa que deve abrir mão de sua autoridade com ele. “Ser
pai-amigo é diferente de ser apenas um amigo, alguém que está de igual
para igual com a criança, que é um de seus pares. Pai-amigo é aquele que
acolhe, mas que coloca limites também”, diz Quezia Bombonatto,
presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).
3. Não seja autoritário, mas dê limites: “Educar é uma tarefa muito
difícil, mas é fácil criar alguém propenso a ser um delinquente: basta
ser muito autoritário ou não dar limite nenhum”, diz a psicóloga clínica
Rosana Augone, que há 27 anos presta serviços e dá palestras em
escolas. Ser autoritário é se fazer obedecer por meio de ameaças, gritos
ou violência. Isso não educa a criança. “Mas muitos pais, com medo de
serem autoritários, acabam fazendo exatamente o contrário: não colocam
quaisquer limites. E com isso, permitem que os filhos se tornem os
autoritários, os tiranos da história”, afirma Quezia Bombonatto,
presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).
4. Não faça todas as vontades de seu filho: Se fazer respeitar também
significa mostrar para o filho que não são só as vontades dele que
contam. “Vemos pais que cedem a tudo que os filhos querem: se a família
decide sair para comer fora, a escolha do restaurante leva em conta só
os desejos das crianças. No carro, só se ouvem as músicas que as
crianças ou adolescentes desejam. Crianças criadas assim tendem a
crescer acreditando que só elas têm direitos e estão no comando”, afirma
Quezia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de
Psicopedagogia (ABPp). Segundo ela, os pais devem compreender que dar
tudo que a criança deseja não os torna mais “legais” ou melhores pais.
5. Seja firme até na hora da alimentação: A cena é conhecida de muitas
mães: ela coloca o prato na mesa e o filho se recusa a comer, chorando,
esperneando ou até mostrando ânsia de vômito. A mãe, com receio que o
filho fique sem se alimentar, cede à pressão da criança e deixa que ele
coma apenas o que deseja. “Também nessas horas os pais devem fazer valer
sua autoridade. São os pais que sabem o que é melhor para alimentação
da criança e não a criança que deve decidir o que comer. Não quis comer o
almoço? Guarde o prato e diga que ela não comerá outra coisa até o
jantar. A criança vai ficar com fome? Vai. E da próxima vez não se
recusará a comer”, diz a psicóloga clínica Rosana Augone.
6. Não ceda ao choro, birras e manhas: No Shopping Center, a criança
pede um brinquedo novo. Os pais dizem que “não”. A criança chora, se
joga no chão, faz escândalo. “Está bem, pare com isso, vamos comprar”,
dizem os pais, envergonhados do escândalo público. “Pior que dizer “não”
é voltar atrás e dizer “sim” para fazer com que o filho pare de chorar
ou de fazer escândalo. Quem faz isso está ensinando que vale a pena
fazer birra, chorar e gritar”, diz a psicóloga clínica Rosana Augone. No
processo educativo os pais vão se deparar com freqüência com choro,
birras, manhas e escândalos das mais variadas naturezas. Nessas horas é
preciso manter a firmeza: “Alguns pais se sentem mal por dizer não à
criança quando ela quer alguma coisa. Mas saber dizer “não” é
necessário. E mais necessário ainda é manter-se firme em sua decisão”,
afirma ela.
7. Seja persistente: Para conquistar o respeito de seu filho, é preciso
ser persistente na tarefa de educar. “O que não pode é um dia, em que se
está disposto, cobrar que o filho faça o que lhe é mandado e no outro,
porque o pai está cansado ou não tem tempo, deixar para lá as
desobediências ou quebras de regras”, diz Quezia Bombonatto, presidente
da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp). “Você já falou mil
vezes e, ainda assim, todos os dias tem que mandar escovar os dentes?
Sim, é seu papel repetir até a criança aprender e incorporar essa tarefa
em sua rotina”.
8. Saiba como estabelecer punições: Seu filho não arrumou o quarto como
você pediu ou deixou de fazer o dever de casa? Estabeleça uma
conseqüência, de acordo com a idade da criança. Para os pequenos, não
adianta ameaçar dizendo que vai deixar um mês sem televisão se ele não
arrumar a cama. “Para as crianças menores, os castigos e punições têm
que ser curtos e aplicados na hora. No dia seguinte, ela já esqueceu o
que se passou. E é preciso estabelecer punições que possam ser
cumpridas. Não ameace aquilo que você não pode ou não vai fazer”,
orienta Quezia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de
Psicopedagogia (ABPp).
9. Resolva conflitos longe da criança: O pai diz que “sim”, mas a mãe
acha que “não”. Se o casal discorda sobre o que fazer diante de um
pedido do filho ou de uma regra da casa, conversem reservadamente e
longe da criança até chegar em um acordo. “O que não pode acontecer é
brigar na frente da criança e um desautorizar o outro”, afirma Quezia
Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia
(ABPp). Se o filho pede algo e um dos pais não está presente, diga à
criança para esperar que os dois conversem e mais tarde dê a resposta à
criança.
10. Dê o exemplo: Na sua casa criança não pode falar palavrão? Tem que
comer salada? Tem que ajudar nas tarefas do lar? Então você precisa dar o
exemplo, para mostrar a coerência entre o que você diz e o que você
faz. “Autoridade é ensinar o filho a fazer não só o que você diz, mas o
que você faz. Os pais são os modelos das crianças”, diz a psicóloga
clínica Rosana Augone.
Fonte: Educar para Crescer
PAIS SUPERPROTETORES
Eles insistem em criar os filhos sem limites ou frustrações, tudo
permeado pelo prazer absoluto. O problema é que a vida não é assim...
por Leonardo Posternak
João, de 6 anos, está caminhando de mãos dadas com seu pai. Acabou de
ter uma violenta briga com seu amigo do coração, por motivos banais de
desentendimentos em uma brincadeira. Pai e filho vão calados,
resmungando. De pronto o menino pergunta ao pai: ‘O que é a liberdade?’
Ele queria compreender o que tinha acontecido. O pai, preocupado e
distraído, contesta rápido e impensadamente: ‘É fazer o que a gente
quer’. João escuta pensativo e olhando nos olhos do pai interpela: ‘Ah!
Mas não com os outros, né?’”
Pequena e profunda, essa história levanta várias articulações: entre o
sujeito e o outro, entre a pulsão e a ética, entre o desejo e o limite,
entre a liberdade e o direito. Nos faz pensar que tão importante quanto
educar é não deseducar. O exemplo é o âmago do texto que segue a
continuação.
É lícito que cada família eduque seus filhos embasada em sua história,
seus modelos, sua cultura, sua experiência e suas possibilidades. Talvez
seja por isso que a educação das crianças se torne um fator instigante
para a reflexão interdisciplinar e demande uma relação estreita entre a
família, a escola e a pediatria. Mas existe um aspecto universal da
educação que podemos sintetizá-lo em duas perguntas: o que esperar da
educação que damos aos nossos filhos? E o que podemos lhes transmitir?
A resposta teórica deve ser quase unânime: basicamente, devemos lhe
oferecer ferramentas para sua socialização. Transmitir-lhes uma
cidadania possível. A resposta, na prática cotidiana, perde a
unanimidade, e as certezas viram dúvidas ou impasses. Justamente por não
ser o resultado mágico de um ritual – na nossa cultura não existe um
ato simbólico que introduza a criança no estatuto do adulto. Ou o
aprendizado através de um manual. Do tipo: “Como educar seu filho em dez
capítulos”. A educação para cidadania se dá por caminhos longos,
incertos dentro de um equilíbrio instável entre a esperança (promessas) e
frustrações (deveres).
Quando se trata de educar, de maneira imediata e estereotipada, se faz
presente uma contradição entre o excesso e a falta de algo que não
sabemos bem o que é. E assim coloca os pais e educadores em dúvida em
respeito à medida “desse algo” desconhecido. Podemos exemplificar esse
conceito: crianças bem educadas/crianças mal-educadas, crianças
abandonadas/superprotegidas, repressão demais/ repressão de menos,
crianças que têm tudo/crianças que não têm nada. Bater, acariciar,
castigar, prometer. Prevalecer sem humilhar, manter a autoridade sem
autoritarismo. Permitir o prazer sem perder a disciplina, manter a
disciplina sem perder prazer. O que fica de tudo: lógica demais,
informação de menos ou demasiada informação sem lógica.
O ponto de partida dessa contradição é o fato de os pais terem que
transmitir a demanda social, além de seu desejo. Ao mesmo tempo, a
sociedade e a cultura exigem que os pais encaminhem seus filhos pelos
caminhos limitados, pelas normas, convenções sociais e leis de sua
conveniência. A isso se chama educar. Sigmund Freud há mais ou menos cem
anos escreveu sobre o assunto ao falar do narcisismo em um trabalho
intitulado Sua Majestade, o Bebê. Nela, Freud afirma que os pais almejam
para seus filhos o prazer, a realização e a felicidade que muitas vezes
eles mesmos não conseguiram para si próprios.
Os pais insistem em criar os filhos sem limites, sem frustrações, tudo
permeado permanentemente pelo prazer absoluto e com imensa proteção,
como se pudessem criar uma exceção para seu “reizinho”. O problema é que
ficam reféns da demanda social.
O paradoxo fica ainda mais terrível e perigoso se os pais não
conseguirem entender que os indivíduos e as famílias estão imersos em
comunidades. Não são ilhas isoladas e paradisíacas, com leis próprias.
Podemos reconhecer outro paradoxo antipedagógico nas famílias modernas:
sem questionamento, se apropriam dos princípios da revolução francesa
para seu funcionamento: “Igualdade, fraternidade e liberdade”.
O justo clamor popular, ante a um reinado autoritário e injusto, se
torna algo devastador ao se tratar da educação dos filhos. A família
deve ser hierárquica, não um sistema igualitário, e deve funcionar com a
necessária autoridade dos pais. A família não é composta só de irmãos:
os elementos são diferentes e os pais são guardiães das normas de
funcionamento. Por último, a liberdade não é libertinagem. Qual a medida
da liberdade? Deve-se permitir que a criança faça tudo o que quiser?
Não, jamais. Os pais têm de optar em ser adultos – alguém tem de fazer
isso. Para uma criança querer crescer, tem de existir o desejo, e o
desejo só surge quando existe uma falta. As crianças que conseguem tudo
não têm motivo para crescer porque não têm nada a desejar.
Nós, humanos, ao nascer estamos influenciados pelo princípio do prazer,
somos hedonistas. No começo da vida assim deve ser: receber cuidados,
comida, amor para poder ficar seguros no Éden. Logo a seguir, a educação
e o relacionamento com os adultos amados nos introduzem no princípio de
realidade e assim perdemos o paraíso, porque alguém impõe limites,
provoca algum grau de frustração e corta os excessos. A educação se faz
apesar do desejo. Para a mãe, o desejo é de ser tudo para o filho e que o
filho seja tudo para ela. Nessa hora, deve aparecer a função paterna,
que é de corte entre a mãe e o filho. Na nossa cultura, para as
crianças, a bandeira da autoridade está na mão do pai. Se ele consegue
que a mãe não seja tudo para o filho e que ele não seja tudo para ela,
os dois vão precisar de outra coisa. Ou seja: a ação do pai os leva a
desejar. A educação então se faz não através do desejo, mas apesar dele.
Dá para imaginar os problemas que surgem quando o pai não tem condições
de assumir sua função e simplesmente se demite ou fica eclipsado. A
tarefa educativa não aceita a renúncia: sem o exercício de um dever, não
existe a promessa do gozo. O desejo humano só existe na medida em que
os limites impostos nos constituem em sujeitos culturais. Não sendo
assim, teríamos uma vida intuitiva movida pelos impulsos.
Como regra geral, os pais devem ter cuidado para não usar uma dupla
mensagem: não estimular a difundida lei macunaímica de ser espertos e
levar vantagem em tudo. Devem também falar sempre a verdade – é um
direito dos filhos –, ensinar a respeitar as diferenças etc. Este tema é
uma das últimas utopias que, pela sua nobreza, vale a pena lutar. Mudar
a criança na família, mudar a família na sociedade, é permitir então
que essas crianças mudem o mundo.
O QUE E COMO DEVER SER TRABALHADA A CIÊNCIAS NATURAIS NOS ANOS INICIAIS?
O ensino de Ciências Naturais há aproximadamente 40 anos passou a
integrar o Currículo. Até a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases nº
4.024/61 o ensino de Ciências Naturais se dava apenas nas duas últimas
séries do antigo ginásio e, após esta Lei, o ensino desta disciplina
passou a fazer parte de todas as séries ginasiais. A Lei 5.692/71 tornou
obrigatório o ensino de Ciências Naturais em todas as séries do
primeiro grau (hoje Ensino Fundamental). Quando foi promulgada a Lei nº
4.024/61, o ensino era tradicional, onde os professores transmitiam
conhecimentos acumulados pela humanidade através de aulas expositivas e
os alunos os absorviam. O conhecimento científico era tomado como neutro
e a verdade científica não era questionada. A partir da Escola Nova, o
ensino de Ciências se deslocou para a questão pedagógica e os objetivos
além de serem informativos, passaram a ser formativos.
Nos anos de 1970 houve uma crise energética e os problemas relativos ao
meio ambiente e à saúde passaram a ser obrigatórios em todos os
currículos das Ciências Naturais, abordados de diferentes formas e
níveis. A produção de programas pela aproximação de conteúdos de
Biologia, Química e Geociências deu lugar a um ensino que integrava
diferentes conteúdos, que representava um desafio para a Didática de
Ciências.
Durante a crise político-econômica a crença na neutralidade da Ciência
foi abalada e o campo de Ciências Naturais foram discutidas questões
como a configuração de uma tendência do ensino, conhecida como “Ciência,
Tecnologia e Sociedade”, que é importante até os dias de hoje. Houve,
então, uma renovação dos critérios para escolha dos conteúdos, mas os
métodos de ensino/aprendizagem ainda persistiam na crença no método da
redescoberta que caracterizou a área nos anos de 1960.
Hoje, existem muitas produções acadêmicas voltadas à investigação das
pré-concepções das crianças, onde o professor conta com a curiosidade de
seus alunos em relação à natureza e tecnologias que eles convivem. Mas
os alunos só aprendem se os professores criarem oportunidades para que
eles pensem e se manifestem.
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997), as Ciências Naturais têm como objetivos gerais:
• Compreender a natureza como um todo dinâmico, sendo o ser humano parte
integrante e agente de transformações do mundo em que vive;
• Identificar relações entre conhecimento científico, produção de
tecnologia e condições de vida, no mundo de hoje e sua evolução
histórica;
• Formular questões, diagnosticar e propor soluções para problemas reais
a partir dos elementos das Ciências Naturais, colocando em práticas
conceitos, procedimentos e atitudes desenvolvidos no aprendizado
escolar;
• Saber utilizar conceitos científicos básicos associados a energia,
matéria, transformação, espaço, tempo, sistema, equilíbrio e vida;
• Saber combinar leituras, observações, experimentações, registros, etc.
para coleta, organização e discussão de fatos e informações;
• Valorizar o trabalho em grupo, sendo capaz de ação crítica e cooperativa para a construção coletiva do conhecimento;
•Compreender a saúde como bem individual e comum que deve ser promovido pela ação coletiva;
• Compreender a tecnologia como meio de suprir necessidades humanas,
distinguindo usos corretos e necessários daqueles prejudiciais ao
equilíbrio da natureza e ao homem.
CONTEÚDOS:
Na área de Ciências Naturais, os conhecimentos são desenvolvidos por
diferentes ciências e por conhecimentos relacionados às tecnologias. Há
uma grande variedade de conteúdos divididos em áreas específicas, como
Biologia, Astronomia, Biologia, Química, Física e Geociências, que devem
ser considerados no planejamento dos professores.
Ambiente
Esta temática permite apontar para relações recíprocas entre sociedade e
ambiente, marcadas por necessidades humanas, conhecimentos e valores.
As questões específicas dos recursos tecnológicos estão ligados às
transformações ambientais, que também são importantes para serem
desenvolvidos. Os conceitos de Ecologia são construções teóricas e não
fenômenos observáveis ou passíveis de experimentação, o que é o caso das
cadeias alimentares, do fluxo de energia, da fotossíntese, da adaptação
dos seres vivos ao ambiente e da biodiversidade.
De acordo com a Síntese dos Parâmetros Curriculares Nacionais de
Ciências, estes [...] não são aspectos que possam ser vistos
diretamente, só podem ser interpretados, são ideias construídas com o
auxílio de outras mais simples, de menor grau de abstração, que podem,
ao menos parcialmente, ser objeto de investigação por meio da observação
e da experimentação diretas (s.d. p. 32).
Ser Humano e Saúde
Para o aluno, a aprendizagem sobre o corpo humano deve estar associada a
um melhor conhecimento do próprio corpo, por ser seu e ser único e com o
qual ele tem uma intimidade e uma percepção subjetiva que ninguém mais
pode ter, o que favorece o desenvolvimento de atitudes de respeito e
consideração pelo próprio corpo e pelas diferenças individuais (Síntese
dos PCNs, sd, p. 32).
Recursos Tecnológicos
Enfoca as transformações dos recursos materiais e energéticos em
produtos necessários às pessoas, como aparelhos, máquinas, instrumentos e
processos que possibilitam essas transformações e as implicações
sociais do desenvolvimento e do uso de tecnologias. Pretende formar
alunos que compreendam e utilizem recursos tecnológicos que se aplicam e
se ampliam na sociedade. Reúne conceitos como matéria, energia, espaço,
tempo, transformação e sistemas aplicados às tecnologias que são
mediadoras das ações do homem com seu meio. A escolha dos conteúdos deve
ser estimulante e de interesse dos alunos, para que sirva à sua
aprendizagem de procedimentos, ao desenvolvimento de valores e
construção da cidadania.
REFERENCIAL TEÓRICO-METODOLÓGICO:
Para se trabalhar com Ciências Naturais a curiosidade dos alunos pode
ser transformada na principal aliada do professor, em relação à natureza
e aos objetos e equipamentos tecnológicos com os quais a criança
convive. Para que os alunos entrem em contato com muitos temas ligados à
aprendizagem científica e tecnológica, o professor deve utilizar de
atividades variadas.
Utilizando de aulas teóricas e experiências concretas o ensino de
Ciências Naturais vai ajudar o estudante a compreender o mundo em que
ele vive. Esse ensino deve discutir as relações do homem com a natureza e
também contribuir para a formação de pessoas íntegras e autônomas.
Aprender Ciências é aprender a ler o mundo. A leitura do mundo implica
expressar, através de palavras, o conhecimento adquirido na interação
com o ambiente e com as outras pessoas, construindo, integrando e
ampliando conceitos. Envolve também o conhecimento de si mesmo, como um
organismo vivo e autoconsciente, percebendo as interações que
estabelecemos e a interdependência fundamental à vida. Nesta perspectiva
o ensino de Ciências permite, simultaneamente ao desenvolvimento de
conceitos, o desenvolvimento da inteligência e das habilidades da
criança, proporcionando à professora o prazer de contribuir para isso
(BORGES e MORAES, 1998, p. 15).
Quando os alunos envolvem-se ativamente proporciona a ampliação e a
modificação do que os estudantes já sabem a respeito de variados
conceitos.
Zabala (2002, p. 196) nos diz que: Os métodos globalizados nascem quando
o aluno é considerado o protagonista do ensino, isto é, quando o fio
condutor da educação desloca-se das matérias para os alunos e, assim,
para suas capacidades, seus interesses e suas motivações.
Logo, os métodos globalizados surgem para suprir a necessidade de uma
melhor aprendizagem, o aluno é considerado o personagem principal do
processo ensino-aprendizagem, e é visto como alguém que possui
capacidades, interesses e motivações que precisam ser consideradas. No
ensino de Ciências Naturais o interesse do aluno pode vir a ser o ponto
de partida para os conteúdos a serem trabalhados se apresentando com um
problema a ser resolvido, essa problematização busca promover mudanças
conceituais do que os alunos já sabem e conhecem ao virão a aprender.
Podemos, então entender que incluir o conteúdo, utilizando o enfoque
globalizador, no método globalizado, é uma tarefa que deve se dar
através de um processo paralelo de trabalho do tema escolhido. Ou seja,
para trabalhar um conteúdo considerado relevante e imprescindível para a
formação do aluno, é necessário primeiro conhecê-lo e utilizá-lo,
partindo sempre da realidade e do interesse do aluno. As atividades de
aprendizagem podem ser incluídas e relacionadas aos exercícios e
experiências que permitem compreender e conhecer o tema trabalhado.
COMO INCENTIVAR A LEITURA NA INFÂNCIA
Na fase quando podemos investir e introduzir hábitos positivos é na
infância, arrumar os brinquedos depois de usa-los, deixar as tarefinhas
em dia, e muito importante, o hábito de ler. Sabemos que a tecnologia
trouxe muitas facilidades, inclusive no meio das letras e outras na área
do entretenimento. Porém, o tradicional livro não sai de moda.
As crianças têm desde cedo a chance de provar todas as parafernálias
eletrônicas e os pais até admiram a desenvoltura e rapidez que eles, os
pequenos, aprendem, até mais rápido do que os adultos, nada de mal
nisso. Mas é bom tentar mante-los ligados ao universo da literatura,
porque é através dela que conseguimos desenvolver o senso crítico,
melhorar o conhecimento pessoal e do mundo, e de quebra, melhorar a
escrita e a competência linguística.
As primeiras leituras são sempre ligadas a hora de lazer, ou descanso,
hora de dormir, historinhas de contos de fada, personagens mágicas e que
despertam na criança o interesse pelo universo fantasioso da
literatura. Isso significará momento de espontaneidade em família. Junto
com esse exercício tente explorar a imaginação infantil após a leitura
de um livro didático e peça para a criança fazer desenhos de acordo com o
que ela entendeu da historinha ou fazer a sua própria versão.
Uma maneira de incentivar é, de acordo com a idade, visitar livrarias e
bibliotecas e faze-los escolher o que mais chama a atenção. Talvez não
seja o livro que você esperasse seu filho optar, mas isso faz com que a
criança se sinta importante na escolha.
Por que não montar uma mini biblioteca no quarto e organizar o cantinho
da leitura? São atitudes simples mas que na maioria dos casos no futuro
revertem em bons resultados. Além de que, são os grandes escritores que
traçam o perfil das gerações em suas obras e guardam informação através
de suas linhas que são pontos importantes para conhecer o próprio país e
sua história. Profissionais de pedagogia revelam o quanto é relevante esse investimento em casa, porque agrega valor às atividades na escola.
É vantajoso também procurar temas do dia a dia e incluir como opções de
leitura, como a saúde da criança. Se você se preocupa em pagar um plano de saúde
para ela, invista também em bons hábitos que funcionam como prevenção
de doenças, como higiene bucal, alimentação e hábitos esportivos. Há
livros escritos exatamente para despertar essas ações nas crianças
através de personagens engraçados e lúdicos.
Como você incentiva seu filha(a) a ler?
A DIDÁTICA E A FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO PROFESSOR
A formação profissional do professor é realizada nos cursos de
Habilitação ao Magistério em nível superior. Compõe-se de um conjunto de
disciplinas coordenadas e articuladas entre si, cujos objetivos e
conteúdos devem confluir para uma unidade teórico-metodológica do curso.
A formação profissional é um processo pedagógico, intencional e
organizado, de preparação teórico-científica e técnica do professor para
dirigir competentemente o processo de ensino.
A formação do professor abrange, pois, duas dimensões: a formação
teórico-científica, incluindo a formação acadêmica específica nas
disciplinas em que o docente vai especializar-se e a formação
pedagógica, que envolve os conhecimentos da Filosofia, Sociologia,
História da Educação e da própria Pedagogia que contribuem para o
esclarecimento do fenômeno educativo no contexto histórico-social; a
formação técnico-prática visando à preparação profissional específica
para a docência, incluindo a Didática, as metodologias específicas das
matérias, a Psicologia da Educação, a pesquisa educacional e outras.
A organização dos conteúdos da formação do professor em aspectos
teóricos e práticos de modo algum significa considerá-los isoladamente.
São aspectos que devem ser articulados. As disciplinas
teórico-científicas são necessariamente referidas à prática escolar, de
modo que os estudos específicos realizados no âmbito da formação
acadêmica sejam relacionados com os de formação pedagógica que tratam
das finalidades da educação e dos condicionantes históricos, sociais e
políticos da escola. Do mesmo modo, os conteúdos das disciplinas
específicas precisam ligar-se às suas exigências metodológicas. As
disciplinas de formação técnico-prática não se reduzem ao mero domínio
de técnicas e regras, mas implicam também os aspectos teóricos, ao mesmo
tempo em que fornecem à teoria os problemas e desafios da prática. A
formação profissional do professor implica, pois, uma contínua
interpenetração entre teoria e prática, a teoria vinculada aos problemas
reais postos pela experiência prática e a ação prática orientada
teoricamente.
Nesse entendimento, a Didática se caracteriza como mediação entre as
bases teórico-científicas da educação escolar e a prática docente. Ela
opera como que uma ponte entre o "o quê" e o "como" do processo
pedagógico escolar. A teoria pedagógica orienta a ação educativa escolar
mediante objetivos, conteúdos e tarefas da formação cultural e
científica, tendo em vista exigências sociais concretas; por sua vez, a
ação educativa somente pode realizar-se pela atividade prática do
professor, de modo que as situações didáticas concretas requerem o
"como" da intervenção pedagógica. Este papel de síntese entre a teoria
pedagógica e a prática educativa real assegura a interpenetração e
interdependência entre fins e meios da educação escolar e, nessas
condições, a Didática pode constituir-se em teoria do ensino. O processo
didático efetiva a mediação escolar de objetivos, conteúdos e métodos
das matérias de ensino. Em função disso, a Didática descreve e explica
os nexos, relações e ligações entre o ensino e a aprendizagem; investiga
os fatores co-determinantes desses processos; indica princípios,
condições e meios de direção do ensino, tendo em vista a aprendizagem,
que são comuns ao ensino das diferentes disciplinas de conteúdos
específicos. Para isso recorre às contribuições das ciências auxiliares
da Educação e das próprias metodologias específicas. É, pois uma matéria
de estudo que integra e articula conhecimentos teóricos e práticos
obtidos nas disciplinas de formação acadêmica, formação pedagógica e
formação técnico-prática, provendo o que é comum, básico e indispensável
para o ensino de todas as demais disciplinas de conteúdo.
A formação profissional para o magistério requer, assim, uma sólida
formação teórico-prática. Muitas pessoas acreditam que o desempenho
satisfatório do professor na sala de aula depende de vocação natural ou
somente da experiência prática, descartando-se a teoria. É verdade que
muitos professores manifestam especial tendência e gosto pela profissão,
assim como se sabe que mais tempo de experiência ajuda no desempenho
profissional. Entretanto, o domínio das bases teórico-científicas e
técnicas, e sua articulação com as exigências concretas do ensino,
permitem maior segurança profissional, de modo que o docente ganhe base
para pensar sua prática e aprimore sempre mais a qualidade do seu
trabalho.
Entre os conteúdos básicos da Didática figuram os objetivos e tarefas do
ensino na nossa sociedade. A Didática se baseia numa concepção de homem
e sociedade e, portanto, subordina-se a propósitos sociais, políticos e
pedagógicos para a educação escolar a serem estabelecidos em função da
realidade social brasileira.
O processo de ensino é uma atividade conjunta de professores e alunos,
organizado sob a direção do professor, com a finalidade de prover as
condições e meios pelos quais os alunos assimilam ativamente
conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções. Este é o objeto de
estudo da Didática.
Sugestões para estudo
1) Por que a educação é um fenômeno e um processo social?
2) Explicar as relações entre a definição de educação em sentido mais amplo e em sentido estrito.
3) Podemos falar que nas associações civis, nas associações de bairro, nos movimentos sociais etc., ocorre uma ação pedagógica?
4) Que significa afirmar que o ensino tem um caráter pedagógico?
5) Dar uma definição de educação com suas próprias palavras.
6) Explicar a afirmação: "Não há fato da vida social que possa ser explicado por si mesmo".
7) Qual é a finalidade social do ensino? Qual o papel do professor?
8) Quais as relações entre Pedagogia e Didática?
9) Por que se afirma que a Didática é o eixo da formação profissional?
Bibliografia: LIBÂNEO, José Carlos. DIDÁTICA. São Paulo: Cortez, 1994.
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