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segunda-feira, 15 de outubro de 2018
Alfabetização: Método Abelhinha
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Maria Silva
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Quando é preciso desacelerar
QUANDO É PRECISO DESACELERAR
Sabemos que estes momentos são cada vez mais raros no decorrer do dia a dia e que talvez seja quase que uma utopia vivenciá-los e ou torna-los como hábitos em nossa jornada de sobrevivência, porém, não podemos deixar de lado que, nosso corpo e é claro que nossa mente, merecem e necessitam de pausas entre barulhos ensurdecedores e a rotina mecanizada que compõem nossa jornada exaustiva. Um estado mental de desaceleração possibilita uma análise objetiva e acurada dos desafios que se apresentam ao longo da nossa história de vida, possibilita também um encontro com nosso Eu interior e uma maior reflexão de nossas prioridades. Isto não significa passividade, inércia, cautela excessiva ou lentidão, mas sim um estado de equilíbrio que o corpo e a mente respirem. Em meio às pressões diárias e as facilidades tecnológicas, é importante não se deixar acelerar a ponto de provocar estresse, fadiga, exaustão e outros tipos de transtornos potenciais. Optemos pelo estado mental desacelerado, que amplia a nossa percepção e proporciona uma atuação precisa e preventiva.
Com o passar dos anos da vida vivenciamos momentos de aceleração decorrente do alto volume e ritmo de trabalho e outros momentos marcados que são verdadeiras montanhas russas. Interessante perceber que independente da alternância de velocidade e ritmo, chega uma determinada etapa da vida que é necessário desacelerar para preservar a longevidade com qualidade de vida. E, em que implica essa desaceleração? Implica em dar seguimento ao curso das atividades, em todas as áreas, se permitindo atuar com mais ponderação, cautela, prudência e consistência, tento um aproveitamento maior no que consiste em quais são suas prioridades. Isso não significa paralisia e nem mesmo perda de foco na produtividade em um contexto profissional. Uma ocasião, ouvi de um dos colegas de trabalho, numa das instituições educacionais em que atuei a seguinte expressão que me alertou e chamou a atenção: “A vida não se mede as pressas”, o que me fez refletir bastante, considerando que num primeiro momento me pareceu algo meio sem sentido, notadamente por conta do alto ritmo e da pressão de trabalho que vivenciava. Essa expressão ecoava em minha mente, de vez em quando, e com o passar do tempo percebi que ele estava certo, pois entendi que a atitude de desacelerar para perceber e aguçar meus sentidos me possibilitaria uma menor perda de energia e uma maior apreciação da vida ao meu redor, o que resultaria em menos estresse e, por conseguinte, melhoria de desempenho e qualidade de vida.
A questão central que me intriga é que no contexto organizacional se valoriza o senso de urgência como uma das competências essenciais em meio às mudanças em alta velocidade.
QUANDO É PRECISO DESACELERAR?
Geralmente o corpo dá sinais de que é necessário este momento de desaceleração, uma pausa mais prolongada no café, um momento de leitura a sós, um momento de laser inesperado, um passeio no parque no fim do dia etc. Um estado mental de desaceleração possibilita uma análise objetiva e acurada dos desafios que se apresentam ao longo da nossa história de vida pessoal e profissional. Isto significa maior qualidade de vida, definição de prioridades e maior aproveitamento do tempo. Em meio às pressões diárias e tanta tecnologia, é importante não se deixar levar a ponto de provocar estresse e fadiga mental.
O desacelerar implica em tomar melhores decisões e maiores acertos. A vida merece pausas, pode ser a nossa essência querendo desatar as amarras. Um pedido de socorro que só a gente é capaz de ouvir.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
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Maria Silva
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Educação
Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina
FELIZ AQUELE QUE TRANSFERE O QUE SABE E APRENDE O QUE ENSINA.
Entre a arte de ensinar e a arte de aprender existe uma grande diferença, não obstante acharem-se ambas intimamente paralelas e vinculadas. Em geral, quem começa a aprender o faz sem saber por que e este processo faz parte da gênese do animal, principalmente do ser humano; pensa que é por necessidade, por uma exigência de sobrevivência por instinto, por desejo e curiosidade ou por muitas outras coisas, às quais costuma atribuir esse por que. Mas quando já começa a vincular-se àquilo que aprende, vai despertando nele o interesse e, ao mesmo tempo, reanimam-se as fibras adormecidas da alma, que começa a buscar, chamando ao estudo, os estímulos que irão criar a capacidade de aprender.
Porém, porque e para que aprender? Eis aqui duas indagações às quais nem sempre se podem dar respostas satisfatórias. Aprende-se e continua-se aprendendo, adquirindo hoje um conhecimento e amanhã outro, de igual ou de diversa índole, Primeiro se aprende para satisfazer às necessidades da vida, tratando de alcançar, por meio do saber, uma posição, e solucionar ao mesmo tempo muitas das situações que a própria vida apresenta. Quando se completa a medida do estudo, parece como se na mente se produzisse uma desorientação: o universitário, ao conquistar seu título, aquele outro ao culminar sua especialização. Enfim, quando essa vida de estudos está terminada, começam as atividades nas diferentes profissões, o que paralisa a atividade anterior da mente dedicada ao estudo; muitos até chegam a esquecer daquela constante preocupação que antes tinham de alcançar cada dia um conhecimento a mais, encontrando-se como os que, tendo finalizado o percurso de um caminho, não sentem a necessidade de dar um passo além, por não acharem o incentivo de um objetivo capaz de propiciá-lo. Eis aí uma das causas de onde provém tanta desorientação nos seres humanos.
De outra parte, os que, além dos estudos da profissão aprendem outras coisas, o fazem muitas vezes sem ter disso verdadeira consciência. Acumulam este, esse e aquele conhecimento, mas depois salvo exceções, não sabem o que fazer com eles; não sabem usá-los em seu próprio bem, nem no bem dos demais. Assim é como vêm aprendendo ao acaso, em uma e outra parte, sem ter um guia que os leve para uma meta segura e lhes permita fazer de tudo uma aprendizagem útil para si mesmos e para seus semelhantes. Ao dar a conhecer seus ensinamentos, a Logosofia manifesta que existe uma imensidão desconhecida para o homem, na qual este deve penetrar. Dá a conhecer, além disso, que enquanto se interna nessa imensidão que é a Sabedoria, isto é, enquanto aprende, pode também ensinar, porque a arte de ensinar consiste em começar ensinando primeiro a si mesmo, ou, dito de outro modo, enquanto de uma parte o ser aprende, aplica de outra esse conhecimento a si mesmo e, ensinando a si mesmo, sabe depois como ensinar aos demais com eficiência.
A arte de ensinar é muito diferente da arte de aprender. Com efeito, tratando-se do conhecimento transcendente, que é o que guia para o aperfeiçoamento, não se pode ensinar o que se sabe, se, ao fazê-lo, não vai refletida, como uma garantia do saber, a segurança que cada um deve dar com seu próprio exemplo. Eis aí, justamente, onde começa a tornar-se difícil a arte de ensinar, porque não se trata de transmitir um ensinamento, ou de mostrar que se sabe isto ou aquilo; quem assim fizesse se converteria em um simples repetidor do ensinamento, um isomorfo autômato, e seu labor careceria de toda eficácia. Já é outra coisa, quando através da palavra de quem ensina, coincidente com seus atos, vão se descobrindo qualidades relevantes; e outra coisa é, também, quando, no que escuta e aprende, vai se manifestando a capacidade de assimilação; então, o que aprende, aprende de verdade, e quem ensina, ensina com consciência e com conteúdo.
Um ensinamento pode ser transmitido bem ou mal por quem ensina, mas, o fato de transmiti-lo mal não tem porque implicar má intenção ou má vontade; comumente é transmitido de forma errônea, por não o haver entendido bem, vivido e incorporado a si mesmo. Quem faz isto não possui, certamente, o domínio do ensinamento, que permite não esquecê-lo mais; e está longe de ser como aquele que, de posse de uma fórmula, pode reproduzir a qualquer momento o conteúdo da mesma. Esquece o ensinamento quem não teve consciência dele e, por tal causa, acha-se na mesma situação do que aprende. Estas particularidades da arte de ensinar e da arte de aprender devem andar sempre de mãos dadas.
Para cultivar estas artes, quando se aprende deve-se sempre situar a si mesmo na posição mais generosa, qual seja a de aprender sem mesquinhez, a de aprender para saber dar, para saber ensinar, e não com objetivos egoístas, fazendo-o para usufruto próprio, exclusivo, que é, em último termo, a negação do saber. A Sabedoria logosófica se perpetua no outro, por isso, aos que mais tarde saberão ensinar, aqueles que terão em conta, ao fazê-lo, todos os detalhes que, correntemente, passam inadvertidos e depois travam o entendimento dos seres. Quem é generoso ao aprender, é generoso ao ensinar; mas nunca terá que se exceder nessa generosidade, pretendendo ensinar antes de haver aprendido.
É de suma importância conhecer a fundo a psicologia humana, para descobrir todos os subterfúgios que existem no complexo e misterioso mecanismo mental do ser humano, principalmente conhecer sobre a gênese do conhecimento ou seja, como é adquirida a aquisição da aprendizagem.
Quando se inicia a empreitada do próprio aperfeiçoamento, é necessário acostumar-se a caminhar com firmeza, sem vacilações nem desacertos, buscando sempre a segurança no próprio conhecimento, e quando aquela não existir, este deve ser cultivado, para que se consiga obter esses frutos que fazem, depois, a felicidade interna.
Falando um pouco mais sobre o conhecimento logosófico, não se trata de conhecimento comum. Tem uma particularidade que o distingue e que cada um adverte, comprova e confirma, à medida que vai realizando seu processo de evolução de aprendizagem consciente. A referida particularidade manifesta-se no fato de que estes ensinamentos servem para ser utilizados na própria vida; aplicando os conhecimentos que deles emanam em uma observação diária de si mesmo, obtém-se uma superação constante, que leva a compreender, mais tarde, o caráter universal do Saber. Isto deve ser recordado a todo o momento, a fim de tratar o ensinamento como ele é: algo novo para o próprio saber individual, algo que deve tomar-se com todo carinho, com toda dedicação, sem descuidar jamais nenhuma de suas indicações.
A busca por conhecimento, expressa tudo quanto pode o homem ser. É a tocha convertida em luminária que passando de mão em mão, através das gerações, continuará iluminando a vida dos que buscam no aperfeiçoamento de si mesmos a própria inspiração; inspiração que também surge observando os sábios e nobres exemplos que a história tem registrado e que, igualmente, o coração humano registra, quando presencia todos aqueles casos em que um homem surge acima dos demais, mostrando os caracteres inequívocos de uma estirpe superior.
A arte de ensinar tem, pois, a missão de arrancar o homem dos planos inferiores de consciência em que se encontra, para levá-lo gradualmente, passando por processos alternados de superação, a conquistar o domínio consciente de suas possibilidades humanas. É então quando deixa de ser um homem comum, um ser comum, para converter-se em ser superior, capaz de transmitir seus conhecimentos aos demais e auxiliar aos que carecem de vontade para poder sobreviver às penúrias que devem suportar na vida.
A vida é o campo a ser semeado onde o espírito se tempera verdadeiramente e onde, pouco a pouco, com vontade e entusiasmo, vai se lavrando um novo e elevado destino. Tudo isto, naturalmente, convida a refletir com serenidade a importância da arte de ensinar e aprender ao mesmo tempo.
Cada um já possui dentro de si alguma bagagem e conteúdo, ninguém é um mero vazio de nada.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
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Educação
Quadro comparativo das concepções de aprendizagem: Piaget, Vygotsky e Wallon
das concepções de aprendizagem:
Piaget, Vygotsky e Wallon.
Dados Pessoais:
Jean Piaget (1896 – 1980), pesquisador e filósofo suíço, formou-se em ciências naturais.
Lev Semenovich Vygotsky (1896 – 1934) formou-se em Direito e estudou Literatura e História.
Henri Wallon (1879 – 1962), pesquisador e professor francês, graduou-se em medicina e estudou psicologia e filosofia.
Teoria da Psicogênese:
Piaget:
O desenvolvimento cognitivo e afetivo se dá em estágios sequenciais. Os estágios são:
- Sensório-motor (0-2 anos)
- Pré-operatório (2-7 anos)
- Operatório concreto (7-11 anos)
- Operatório formal (11-15 anos ou mais)
Vygotsky:
O desenvolvimento da estrutura cognitiva humana é um processo que se dá na apropriação da experiência histórica e cultural.
Wallon:
O desenvolvimento cognitivo e afetivo se dá em estágios de maneira
descontínua, a partir do potencial genético, inerente a espécie, e a
fatores ambientais e socioculturais.
Os estágios são:
- Impulsivo-emocional
- Sensório-motor e projetivo
- Personalismo
- Categorial
- Puberdade e adolescência.
Como pensavam o processo de aprendizagem
Piaget:
- A aprendizagem está condicionada ao desenvolvimento cognitivo e afetivo e seus estágios.
- Enquanto sujeito de seu conhecimento, o homem tem acesso direto aos objetos e eventos.
- Ao professor cabe pensar e desenvolver situações de aprendizagem que sejam ao mesmo tempo compatíveis com o estágio de desenvolvimento cognitivo no qual o aluno se encontra e representem, também, um desafio aos mesmos.
Vygotsky:
- Desenvolvimento e aprendizagem são processos concomitantes, interdependentes e recíprocos.
- Enquanto sujeito de seu conhecimento, o homem não tem acesso direto aos objetos e eventos. Este acesso é mediado pela linguagem.
- O professor é mediador do processo de ensino aprendizagem. Ação docente deve acontecer dentro da Zona de Desenvolvimento Proximal. Para isso, ele deve conhecer os saberes prévios daqueles a quem ensina, planejar o processo de aprendizagem com o objetivo de atingir o potencial do aluno, em um processo de construção do conhecimento. O professor nunca abrir mão da reflexão sobre sua prática pedagógica e deve encorajar o aluno assumir a responsabilidade por sua própria aprendizagem.
Wallon:
- Desenvolvimento e aprendizagem são diretamente influenciados por aspectos culturais e orgânicos de cada indivíduo.
- Enquanto sujeito de seu conhecimento, o homem não tem acesso direto aos objetos e eventos. Este acesso é mediado pela afetividade.
- Ao professor e escola cabe conhecer o contexto no qual a criança está situada, ou seja, sua história. Isso trará maior possibilidade de compreensão da inter-relação entre o desenvolvimento dos domínios afetivo, cognitivo e motor.
Principais semelhanças entre eles:
- Os três eram sociointeracionistas. Portanto, pensavam o homem como um ser social;
- Tinham formação acadêmica em outras áreas que não a educação;
- Deram contribuições valiosas à educação através das teorias psicogenéticas;
- Acreditavam que o conhecimento é construído gradualmente;
- Levaram em conta a base biológica do funcionamento psicológico.
- Acreditavam que os processos filogenéticos e ontogenéticos tinham implicações diretas no desenvolvimento.
Principais diferenças entre eles:
- Piaget e Wallon focaram suas analises sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo do nascimento à adolescência. Vygotsky pensou o desenvolvimento e aprendizagem como algo que ocorre por toda vida.
- Para Piaget, conhecimento é construído do individual para o social, enquanto Vygotsky e Wallon, do social para o individuo.
- Piaget via o desenvolvimento cognitivo e afetivo como uma “marcha para o equilíbrio”.
- Embora os três pensassem o homem como um ser social, Piaget privilegiava a maturação biológica como condição ao desenvolvimento cognitivo (aprendizagem); Vygotsky, a interação social; Wallon, a afetividade.
- Para Piaget, os estágios de desenvolvimento eram ordenados e universais. Para Wallon, os estágios sofriam rupturas e retrocessos.
- Vygotsky e Wallon viam o desenvolvimento com resultante do meio. Portanto, se o meio mudasse, isso impactaria o desenvolvimento.
- Para Piaget, o desenvolvimento cognitivo é determinado pela oposição da coação à cooperação. Vygotsky vê questões econômicas e socioculturais como determinantes. Wallon vê questões econômicas, socioculturais e afetivas como determinantes.
- Piaget pensa o social e suas influências sobre os indivíduos pela perspectiva ética; Vygotsky, pela perspectiva cultural; e Wallon, pela perspectiva cultural e afetiva.
- Para Piaget, o processo de pensamento é resultado dos esquemas; a linguagem é resultado do desenvolvimento dos processos mentais. Vygotsky e Wallon não só viam pensamento e linguagem com interdependentes e recíprocos, mas atribuía grande importância à aquisição da linguagem, pois ela diretamente influenciava as funções superiores. Porém, Wallon já via a emoção (o choro, o riso, tom de voz agradável ou desagradável) como a primeira linguagem da criança.
Referências Bibliográficas:
LA TAILLE, Yves; OLIVEIRA, Marta K; DANTAS, Heloysa. Piaget, Vygotsky,
Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. São Paulo: Summus
Editorial, 1992 – 115 p.
WADSWORTH, Barry J. Piaget’s Theory of Cognitive and Affective Development. 3rd ed. Nova Iorque: Longman Inc., 1984.
FUNDAMENTOS EPISTEMOLÓGICOS DA APRENDIZAGEM. Unidade 4 (Apostila do
curso de Educação e Tecnologia da Universidade Veiga de Almeida)
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Maria Silva
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A pedagogia de Célestin Freinet
A PEDAGOGIA DE
CÉLESTIN FREINET
Célestin Freinet iniciou sua pesquisa e ideário filosófico da França criando sua “metodologia” de ensino com bases psicológicas e educativas. A proposta pedagógica, de Freinet (1969, p.27-28) aborda uma nova orientação social e educacional trazendo sua visão que suscita uma ordem profunda e funcional, uma disciplina que é a própria ordem na organização da atividade e do trabalho, uma eficiência que resulta de uma racionalidade humana de vida escolar, todas as conquistas que, para além dos formalismos ultrapassados, concorrem para a formação harmoniosa dos indivíduos na renovada estrutura social. Freinet foi o idealizador de pedagogia do bom senso, baseada nos interesses e vivências das crianças, suas culturas, atitudes e valores.
Ele criou essa proposta pedagógica acreditando que a contribuição da educação deveria ir além da alfabetização, e pautar-se no conhecimento e desenvolvimento de suas potencialidades e personalidade, através da relação dialética teoria e prática. Para ele se faz importante desenvolver nos alunos a sede pelo conhecimento; estes devem sentir interesse pela descoberta do novo e o professor deve possuir papel central na conscientização dos alunos.
A pedagogia do bom senso comprovava que o esforço de Freinet não foi de fazer com que os alunos aprendessem simplesmente a técnica do fazer pedagógico tento um papel apenas passivo no processo de ensino-aprendizagem, e sim, que essa pratica educativa fosse carregada de significância e, a partir desta, os alunos seriam sujeitos ativos no processo. Assim diz Freinet (1975, p.120): Porém a nossa pedagogia tem a pretensão de ser mais simples do que a pedagogia tradicional, pois é natural, quer dizer, baseia-se nos princípios e nos comportamentos do bom senso que qualquer um que possua, este bom senso compreende e admite.
A pedagogia Freinet surgiu para desenvolver e se trabalhar nos alunos suas habilidades, tornando-os seres autônomos, sociais, responsáveis e co-detentores de sua cultura e seus conhecimentos, além de também desenvolver as necessidades vitais das crianças através do trabalho e da cooperação. Para ele a prática educativa acontece diante de situações reais de construção e reconstrução do conhecimento. O aluno tem papel ativo e fundamental o seu próprio desenvolvimento não somente educacional mais social também.
As contribuições trazidas pela Pedagogia Freinet para a educação se traduzem pela filosofia, pela educação e pela prática. Suas técnicas pedagógicas trouxeram sentido às aulas tornando esta uma atividade prazerosa e significativa para os alunos. O papel do professor dentro dessa proposta se alicerça na junção da prática para a vivência, criando relações para que sejam desenvolvidos a cooperação e o respeito. A teoria Freinetiana é formulada a partir de suas experiências em sala de aula, realizando interlocuções, observações, anotações e experimentações. Trata-se de uma teoria pedagógica fundamentada em princípios e comprovada pelas suas pesquisas como: educação e trabalho, livre expressão, cooperação e autonomia. A relação que essa pedagogia traz com a vida social dos alunos é que auxilia o professor no seu fazer pedagógico, construindo com seus alunos a aprendizagem coletiva, diante de uma proposta real de interação por todos os sujeitos no processo educativo, respeitando a linguagem de cada um, tornando o aprendizado prazeroso e principalmente trabalhando a autonomia dos mesmos.
O trabalho na concepção de Freinet está relacionado a uma atividade que é própria do ser humano, algo que possui uma finalidade social determinada. “Em resumo, o trabalho como base educativa prepara a harmonia social pela harmonia individual, é um estimulante para o estudo abstrato, é finalmente, um fator inestimável de moralidade e sociabilidade” (FREINET, 1998, p.94). Em sala de aula, o trabalho refere-se a procedimentos necessários à prática pedagógica, tais como: elaboração de planos de trabalho, criação e confecção de materiais, rotinas, entre outros. Todos esses procedimentos devem ser elaborados em conjunto, docentes e discentes. O trabalho é uma prática social que pode libertar o homem de dogmatismos tornando este um ser atuante na sociedade de forma crítica e criadora, inclusive tornando-se um ser criador de sua própria educação.
O verdadeiro sentido da pedagogia de Freinet, está ligada através da relação de troca que o homem faz com o meio e, assim, descobre seus complexos de interesse. É nessa concepção que se demonstra a sensibilidade diante do comportamento da criança em um ambiente escolar e social em que vive, buscando desenvolver as potencialidades dos mesmos. O segundo princípio da pedagogia freinetiana é o tateamento experimental que trabalha a sensibilidade dos alunos. Para Freinet a aprendizagem é construída pela criança através da elaboração de hipóteses que são testadas podendo tornar-se uma apropriação concreta do conhecimento, e a pesquisa que a criança realiza usando o tateamento experimental possibilita essa análise.
Para Freinet (1969, p.85), “os únicos conhecimentos que podem influenciar o comportamento de um indivíduo são aqueles que ele descobre sozinho e dos quais se apropria”. Esse pilar presente no método natural de aprendizagem possibilita ao aluno um maior conhecimento do ambiente em que vive, através de suas descobertas, que são necessidades naturais do ser humano, utilizando o tatear, sondar, investigar o terceiro princípio da pedagogia freinetiana trata-se da cooperação. De acordo com Freinet, é através desta que as crianças e o educador se relacionam e desenvolvem suas responsabilidades e competências, havendo uma maior valorização mútua e, principalmente, a prática real da liberdade pessoal necessária. Diante da troca de experiências e conhecimentos entre os alunos, estes passam a se tornar seres autônomos com seus processos de aprendizagem, conseguem atribuir significância à prática educativa exercida e essa cooperação contribui consideravelmente para a formação de valores e atitudes nos sujeitos envolvidos.
A classe cooperativa se fundamenta nas relações interpessoais, assim sendo ela ajuda as crianças a multiplicarem as relações umas com as outras em todas as idades, e com os adultos, tendo com estes não mais uma relação de dependência e de submissão, mas de troca e amizade (Escolas são pessoas) José Pacheco. E a independência da criança vai se processando gradativamente, com consciência e responsabilidade. (Souza, 1996, p.1).
Na pedagogia freinetiana, a livre expressão é o quarto pilar, e é nesta concepção das habilidades expressivas que a criança é capaz de trabalhar seus sentimentos, emoções, pensamentos, conhecimentos prévios através de uma aprendizagem real e significativa e vivenciada. Quando a criança sente segurança e confiança no ambiente em que esta inserida, torna-se possível o crescimento e o desenvolvimento de suas potencialidades e de sua autoconfiança. O desenvolvimento afetivo neste ambiente é primordial através do mediador, para que o mesmo desenvolva aspectos a serem trabalhados de forma que a criança possa se sentir ao mesmo tempo que segura amada também. Os materiais didáticos utilizados por Freinet em suas aulas foram criados por ele próprio fundamentando a relação dialética que era sua proposta para o ambiente escolar.
Santos (1996, p. 158) demonstra: Ao introduzir no ambiente escolar, técnicas educativas tais como o texto livre, o jornal, a imprensa, a correspondência, o plano de trabalho, a biblioteca de classe, o conselho cooperativo, Freinet dotou a sala de aula de condições estruturais e funcionais para uma prática educativa baseada na liberdade de expressão, no intercâmbio de ideias, no tateio experimental, no trabalho criativo e na cooperação. O texto livre, eixo possibilitador de aprendizagem que se consolida intrinsecamente na atuação do princípio da livre expressão, foi a primeira forma que
Freinet apresentou sua pedagogia para o mundo no Congresso de Tours (1927), onde levou seus alunos e apresentou toda a coleta de materiais, advindas da impressão de textos e registros de desenhos, onde também demonstrou sua paixão e orgulho: “o Congresso de Tours, onde educadores apaixonados por seu ofício levavam seus trabalhos e seu entusiasmo, demonstravam que a livre expressão da criança encontrava-se na origem de uma inversão de conceito de educação”. Freinet (apud Freinet E, 1979, p.30). Um dos diferenciais de Freinet era a preocupação em atrair a atenção dos alunos para o processo de ensino-aprendizagem. As obras de Freinet demonstram como sua visão sobre a educação é atual e utilizada em todo o mundo até os dias de hoje. Um educador que no início do século XX desenvolveu importantes considerações acerca das relações interpessoais, dos assuntos sociais e políticos, e da prática pedagógica da atualidade.
Freinet teve muitos facilitadores pedagógicos ligados à sua pesquisa, em que se destacam: plano de trabalho (gestão da aprendizagem), correspondência interescolar (comunicação social), auto-avaliação (autogestão da aprendizagem), jornal de parede (gestão entre o grupo), imprensa escolar (instrumento usado na comunicação), aula passeio (práticas que contribuem para a aquisição do conhecimento), livro da vida (instrumento para registro), fichário de consulta (gestão da aprendizagem). Para Freinet o trabalho deve ser realizado por grupos de alunos de maneira coletiva e cooperativa. Um dos instrumentos que representam a sua prática foi o limógrafo (um tipo de impressora artesanal). Este material foi o primeiro utilizado por Freinet caracterizando, assim, a imprensa escolar.
O limógrafo era usado para registrar experiências extra-escolares dos alunos como, por exemplo, entrevistas, pesquisas e relatórios. A aula passeio (ato denominado as atividades de observação da esfera extra-escolar) surgiu diante da observação de Freinet sobre as necessidades dos alunos que se interessavam por questões fora do âmbito escolar. Freinet, no intuito de incentivar a participação das aulas e tornar estas mais prazerosas e significantes, começou a praticar aulas passeios envolvendo caminhadas e atividades ao ar livre.
O livro da vida trata-se de uma forma de registro da livre expressão. Este material foi idealizado como uma forma de catalogar os saberes construídos em sala de aula e fora dela. Nele, a criança podia demonstrar seus sentimentos expressando-se livremente, representando a sua realidade. Segundo Souza (1996, p. 8), “o livro da vida é um meio de incentivar na criança o gosto e o desejo de escrever, uma vez que nele está expresso o que ela disse, fez, viveu e compreendeu.” Um mecanismo de pesquisa é o fichário de consulta, uma enciclopédia artesanal, que possibilita aos alunos a organização de assuntos referentes as áreas de: gramática,geografia, matemática, entre outros.
O plano de trabalho e a correspondência escolar também fizeram parte das aulas de Freinet. O plano de trabalho se configura na proposta educativa Freinetiana como um planejamento feito entre o professor e o aluno no qual continha o encaminhamento das aulas buscando sempre a melhor maneira de realizá-las. A correspondência interescolar, atividade cooperativa de estreitamento das relações humanas, em que os alunos socializam informações, presentes, conhecimentos, entre outros também é uma técnica de ensino proposta para o ambiente escolar. Finalizando, na concepção de Freinet a avaliação é um mecanismo necessário a prática educativa. Sem ela, corre-se o risco de deixar a atividade educativa improdutiva e sem significância. Nesse sentido, a auto-avaliação e as fichas criadas por Freinet, foram pensadas para o registro dos progressos e, assim, do desenvolvimento.
A maneira que Freinet vê o ato educativo possibilita o entendimento de que é impossível que haja neste a neutralidade, adotando como embasamento uma consciência política e recusa de manipulação do homem. Em sua pesquisa ele demonstra que a ação pedagógica pensada e projetada, possui grande relevância no processo de libertação e conscientização humana, mesmo tendo ele atuado em época diferente. Nas aulas, a forma que Freinet trabalhava deixava clara a sua contribuição para o desenvolvimento da autonomia, juízo crítico e responsabilidade nas crianças. Práticas como a “expressão livre” dava criatividade e liberdade aos alunos e estes tinham palavra e vida no processo de ensino-aprendizagem. Para que haja a pesquisa o professor precisa saber pensar, que é pôr em dúvida suas certezas, suas verdades para aprender o conhecimento já existente e aquele que ainda não existe.
A relação dialógica e cooperação entre professor e aluno são princípios defendidos por Freinet. Essas práticas necessárias em sala de aula possibilitam a problematização, compreensão e transformação da realidade. A modificação do espaço escolar é enfocada por Freinet mediante de métodos ativos de ensino, da cooperação e comunicação dos caminhos de meio natural e social; enfatizando o trabalho educativo ligado à ação e a organização social e política do mundo adulto. Freinet traz em sua proposta pedagógica um método natural de ensino, mostrando que o desenvolvimento da criança se dá de forma gradativa, tendo relação com as necessidades próprias da criança e as condições fisiológicas, psicológicas e técnicas. A formação do homem integral era vista por Freinet como um direito de todos os cidadãos, que passaria de um plano concreto de vida para um mais abstrato quando conquistassem a liberdade. Este pensamento está claro em todo o trabalho de Freinet, tanto no aspecto educacional, quanto no aspecto político e social. Isto_ porque ele acreditava numa escola contextualizada, nascida no seio da comunidade, dinâmica e integrada, principalmente, à cultura em geral.
Para que houvesse educação, ou melhor, uma nova educação, era necessária uma grande modificação da sociedade, da política, da ética, do cotidiano dos indivíduos e dos grupos sociais. Suas raízes de pensamento refletem uma educação para a autonomia e formação de cidadãos.
Freinet fez surgir um projeto político dedicado ao aprimoramento de um direito social: a educação.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultoria, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação.
REFERÊNCIAS
ELIAS, Marisa Del Cioppo. Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas – SP:
Papirus,1996.
______. De Emílio a Emília: a trajetória da alfabetização. São Paulo: Scipione:
2000.
FREINET, C. O método natural. Trad. Franco de Sousa e Teresa Balté. Lisboa:
Estampa, 1969. Vols 2.
______. As técnicas Freinet da escola moderna. Trad. Silva Letra. 4ª ed. Lisboa:
Estampa, 1975.
______. A Educação do trabalho. / Cèlestin Freinet; tradução de Cristiane Nascimento
e Maria Ermantina Galvão G. Pereira. São Paulo: Martins Fontes,1998 – (Psicologia e Pedagogia)
Campina Grande, REALIZE Editora, 2012
13
______. Para uma escola do povo: guia prático para organização material, técnica
e pedagógica da escola popular/ Cèlestin Freinet: tradução de Eduardo Brandão. 2ª ed.
– São Paulo: Martins Fontes, 1977. (Psicologia e Pedagogia).
FREINET, Élise. O itinerário de Cèlestin Freinet. Rio de Janeiro: Livraria Francisco
Alves Editora S. A. 1979.
___________. Pedagogia da indignação: cartas pedagógicas e outros escritos. SP:
UNESP, 2000.
____________ Pedagogia dos sonhos possíveis. São Paulo: UNESP, 2001.
OLIVEIRA, A. M. M. Cèlestin Freinet: raízes sociais e políticas de uma proposta
pedagógica. Rio de Janeiro: Papéis e cópias de Botafogo e Escola de Professores, 1995.
SANTOS, Maria Lúcia dos. Texto livre: expressão viva num sistema interativo. In:
ELIAS, Maria Elisa Del Cioppo (org). Pedagogia Freinet: teoria e prática. Campinas,
SP: Papirus,1996.
SOUZA, Djanira Brasilino de. A pedagogia Freinet nas séries iniciais do 1º grau:
algumas sugestões de organização do trabalho pedagógico. Caderno nº 3, Natal:
EDUFRN, 1996.
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Maria Silva
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Como acontece o aprendizado no brincar, segundo Piaget, Vygotsky, Montessori, Froebel e Dewey
COMO ACONTECE O PROCESSO DE APRENDIZAGEM NO BRINCAR? SEGUNDO PIAGET, VYGOTSKY, MONTESSORI,
FROEBEL, DEWEY.
FROEBEL, DEWEY.
As várias experiências (Brincadeiras) que as crianças de 0 a 6 anos de idade vivenciam, são fundamentais na formação e na construção do caráter social e emocional das mesmas, além de ser de suma importância no fortalecimento de estímulos ligados as habilidades motoras, expressivas e as fases construtivistas, sócio construtivistas, cognitivistas e progressivas (Piaget, Vygotsky, Montessori, Froebel, Dewey). É mais que um fato, é cientificamente comprovado que o que se aprende nesta fase pode deixar marcas para o resto da vida, não só na criança mais em se tratando de socialização e convivência, podemos afirmar que a mesma terá responsabilidade no processo de transformação social, seja familiar, seja comunitário ou educacional.
Todos os teóricos educacionais, sejam da pedagogia ou de outras áreas como a psicologia, são unânimes em concordar que o processo de brincar é onde ocorre maior possibilidade de aprendizagem seja formal ou informal.
De acordo com Piaget o conhecimento não pode ser concebido como algo predeterminado desde o nascimento, nem como simples registro de percepções e informações. O conhecimento é consequência das ações e das interações do sujeito com o objeto de conhecimento, seja do mundo físico ou da cultura. É uma construção que vai sendo elaborada desde a infância, que se classificam em fases e que são necessárias para o desenvolvimento e aprendizado da criança.
Para a criança a brincadeira é uma forma de exercitar a sua imaginação, se relacionando de acordo com seu interesse e suas necessidades junto a realidade de um mundo que pouco conhecem. Através das brincadeiras a criança reflete, organiza, constrói, destrói, e reconstrói seu universo. A brincadeira mostra como a criança reflete, organiza, desorganiza, constrói e reconstrói o próprio mundo. Mesmo sem entender devemos respeitar, por que o brincar da criança é a sua linguagem secreta.
Para Piaget o jogo não é apenas uma forma de desafogo ou entretenimento para gastar energias das crianças, mais meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Através dos jogos a criança desenvolve sensório motor e o simbolismo, transforma o real em necessidades múltiplas do eu, assimila a realidade.
Para Vygotsky O brincar, tão característico da infância, traz inúmeras vantagens para a constituição da criança, proporcionando a capacitação de uma série de experiências que irão contribuir para o desenvolvimento futuro da mesma. Vygotsky buscou compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos ao longo da história da espécie humana, levando sempre em conta a individualidade de cada sujeito, o qual está imerso no meio cultural que o define. Para ele, o homem constitui-se enquanto ser social e necessita do outro para desenvolver-se. Vygotsky, ao longo de sua obra, discute aspectos da infância, destacando-se suas contribuições acerca do papel que o brinquedo desempenha, fazendo referência a sua capacidade de estruturar o funcionamento psíquico da criança.
Para Vygotsky, o brincar está intimamente ligado ao processo de aprendizagem. Brincar é aprender; na brincadeira, reside a base daquilo que, mais tarde, permitirá à criança aprendizagens mais elaboradas. O lúdico torna-se, assim, uma proposta educacional para o enfrentamento das dificuldades no processo ensino-aprendizagem.
Segundo Vygostsky (1998), para entendermos o desenvolvimento da criança, é necessário levar em conta as necessidades dela e os incentivos que são eficazes para colocá-las em ação. O seu avanço está ligado a uma mudança nas motivações e incentivos, por exemplo: aquilo que é de interesse para um bebê não o é para uma criança um pouco maior. A criança satisfaz certas necessidades no brinquedo, mas essas necessidades vão evoluindo no decorrer do desenvolvimento. Assim, como as necessidades das crianças vão mudando, é fundamental conhecê-las para compreender a singularidade do brinquedo como uma forma de atividade
Conforme Vygotsky (1998, p. 126), “é no brinquedo que a criança aprende a agir numa esfera cognitiva, ao invés de uma esfera visual externa, dependendo das motivações e tendências internas, e não pelo dos incentivos fornecidos pelos objetos externos”. A criança se torna menos dependente da sua percepção e da situação que a afeta de imediato, passando a dirigir seu comportamento também por meio do significado dessa situação: “a criança vê um objeto, mas age de maneira diferente em relação àquilo que vê. Assim, é alcançada uma condição em que a criança começa a agir independentemente daquilo que vê” (VYGOTSKY, 1998, p. 127). No brincar, a criança consegue separar pensamento (significado de uma palavra) de objetos, e a ação surge das ideias, não das coisas. Por exemplo: um pedaço de madeira torna-se um boneco. Isso representa uma grande evolução na maturidade da criança.
Vygotsky propõem então que a criança se relaciona com o significado em questão, com a ideia, e não com o objeto concreto que está ao seu alcance. O brinquedo fornece, assim, uma situação de transição entre a ação da criança com objetos concretos e as suas ações com significados. Fator importante, como já discutido anteriormente, para o desenvolvimento da criança. Essa separação do significado do objeto se dá de maneira espontânea: a criança não percebe que atingiu esse desenvolvimento mental. Dessa forma, por meio do brinquedo, a criança começa a compreender a definição funcional de conceitos ou de objetos, e as palavras passam a se tornar parte de algo concreto. Vygotsky (1998) fala ainda que a criança experimenta a subordinação às regras ao renunciar a algo que deseja, e é essa renúncia de agir sob impulsos imediatos que mediará o alcance do prazer e das responsabilidades na brincadeira.
Froebel ficou conhecido como o formador da criança pequena, viveu numa época de transição sobre a concepção da criança, e teve sua participação na área pedagógica quando abriu o seu primeiro jardim de infância, no qual dedicou sua vida a elaboração de métodos e equipamentos para tais instituições infantis. Preconizava a ideia de atividade e liberdade, inspirava-se no amor à criança e na natureza. Defendia o desenvolvimento da criança, como também as fases do crescimento, dizia que a infância é o período que a criança deve ser protegida pelos pais, pois ela é dependente (NICOLAU, 1987).
Froebel foi o primeiro educador a enfatizar o brinquedo, na atividade lúdica, já que era o primeiro recurso no caminho da aprendizagem, não apenas para diversão, mas para um modo de criar representações do mundo concreto com a finalidade de entendê-lo, também se preocupou em arquitetar recursos sistemáticos para as crianças se expressarem, tais como blocos de construção, papelão, papel, argila, serragem, entre outros materiais usados para estimular a aprendizagem dos pequeninos. "Assim, os jardins de infância frobelianos incluem jogos nos quais se permite às crianças uma livre exploração, oferecendo apenas o suporte material e jogos orientados nos quais há clara cobrança de conteúdos a adquirir" (KISCHIMOTO, 2007, p. 103).
Médica italiana, se tornou um dos principais nomes da história da educação moderna, se destacou pela criação da Casa dei Bambini ou casas de crianças. Seus ideais influenciaram o início da revolução educacional, que a partir de então começa a mudar a forma de tratamento e a compreensão das crianças pelos adultos e até o tipo de brinquedos que possuía em casa" (POLLARD, 1993, p.10).
Destacou-se por se dedicar a educação das crianças anormais, como também pelos seus materiais pedagógicos voltados para estimulação sensorial e intelectual.
Assim como Froebel, Montessori também acreditava na educação livre e natural da criança, de acordo com Pollard (1993) Montessori argumentava que as crianças sabiam mais do que ninguém como deviam ser ensinadas, e que a criança deveria ser estimulada a aprender ao ar livre.
O método montessoriano ficou conhecido e se espalhou no mundo todo, ela era convidada a ministrar palestras para formação de docentes. No seu país de origem esse método se tornou oficial nas escolas públicas, toda a Itália planejava suas escolas de acordo com essa técnica, Pollard (1993, p. 42) corrobora dizendo que "[...] Maria Montessori era cada vez mais convidada para dar palestras e abrir novas Casas das Crianças. Isso significava que mais gente treinada em seu método seria necessária para trabalhar.
Como mencionado, Montessori dedicou-se a educação das crianças deficientes, porém seu método se espalhou e foi trabalhado também com crianças normais, sua grande contribuição para educação infantil que se tem atualmente foi em relação à diversidade dos materiais pedagógicos e dos jogos educativos adequados à criança.
Os ideais desses educadores contribuíram para o movimento da escola nova na Europa, visto que foi um grande marco para educação dos pequeninos, em virtude de haver uma preocupação com a natureza psicológica da criança, como também com seu desenvolvimento. Na América o precursor desse movimento foi John Dewey, que concebia a infância como época de desenvolvimento e crescimento, que envolvesse o físico, o emocional e o intelectual.
Para o pensador e filósofo norte-americano J. Dewey (1978), o mundo da criança é um mundo de interesses pessoais e de pessoas e não de leis e sistemas e brincar se constitui como um elemento essencial ao desenvolvimento saudável da criança. Através dele torna-se possível não só a sua interação com o meio em que se encontra inserida, como também a ativação do seu potencial criativo. O brincar pressupõe interação, bem como relação social, por isso, ele pode contribuir de modo significativo na formação de atitudes sociais durante o desenvolvimento infantil, tais como: respeito mútuo, solidariedade, cooperação, obediência às regras, senso de responsabilidade, iniciativa pessoal e grupal. É brincando que a criança desenvolve habilidades e competências cognitivas, emocionais, intelectuais e motoras.
Dewey defendia a ideia de que as crianças fixavam melhor os ensinamentos quando realizavam tarefas associadas ao conteúdo que fora ensinado. Foi assim que as atividades manuais e criativas ganharam espaço no currículo escolar e os alunos foram estimulados a experimentar e desenvolver seus próprios pensamentos. Desta forma, a democracia e liberdade de expressão ganharam peso, por permitirem o maior desenvolvimento dos indivíduos. Ele considerava a ambos como instrumentos essenciais para a manutenção emocional e intelectual das crianças.
O filósofo também defendia a educação progressiva, na qual o objetivo é educar a criança como um todo, visando seu crescimento físico, emocional e intelectual.
Artigo > Prof. Marcos L Souza
Marcos Leonardo de Souza é Educador e Escritor. Licenciado em Pedagogia, História e Música, com Pós-Graduação Lato Senso em Psicopedagogia, Alfabetização e Letramento, Educação Lúdica, Educação Musical, Educação Infantil, atuando nas áreas de consultora, assessoria pedagógica, treinamentos, oficinas e palestras. Mestre em Educação
Referências Bibliográficas
VYGOTSKY, Lev Semenovich. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade escolar. In: VIGOTSKY, Lev Semenovich; LURIA, Alexander Romanovich;
LEONTIEV, Alexis N. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. Tradução de Maria da Penha Villalobos. 2. ed. São Paulo: Ícone, 1988. p. 103-117. VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.
OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento um processo sócio histórico. 3. ed. São Paulo: Scipione, 1995.
DEWEY, John. Vida e educação. Trad. Anísio S. Teixeira. São Paulo: Melhoramentos, 1978.
PIAGET, J. Estudos Sociológicos. Rio de Janeiro: Forense, 1973
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