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segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Aprendizado


APRENDIZADO

Aprendi a me abster da companhia de pessoas tendenciosas cujos princípios mudam conforme a direção dos ventos.
Aprendi a dizer não a muita gente que me explorava e ainda me fazia acreditar que estava me fazendo um favor.
Aprendi a identificar o sorriso falso, o afago barganhado, o olhar com terceiras intenções.
Aprendi que não são apenas assoalhos molhados que fazem a gente escorregar e cair; pessoas invejosas fazem muito mais estrago na vida da gente. Mas até delas a gente aprende a se proteger.
Aprendi a não sofrer por não fazer parte de certos grupos ou por não estar entre os que são tidos como melhores.
Aprendi que sobrenome vale mais que denominação.
Aprendi que respeito não se compra.
Aprendi a não ganhar NADA pra não perder TUDO.
Tenho experimentado, desde então, a audácia do amor próprio. E tenho gostado.

Lídia Vasconcelos


Professor está sempre errado


PROFESSOR ESTÁ SEMPRE ERRADO
                                               (Jô Soares)

O material escolar mais barato que existe na praça é o *professor*!

Se é jovem, não tem experiência.
Se é velho, está superado.
Se não tem automóvel, é um pobre coitado.
Se tem automóvel, chora de "barriga cheia".

Se fala em voz alta, vive gritando.
Se fala em tom normal, ninguém escuta.
Se não falta ao colégio, é um 'caxias'.
Se precisa faltar, é um 'turista'.

Se conversa com os outros professores, está 'malhando' os alunos.
Se não conversa, é um desligado.
Se dá muita matéria, não tem dó do aluno.
Se dá pouca matéria, não prepara os alunos.

Se brinca com a turma, é metido a engraçado.
Se não brinca com a turma, é um chato.
Se chama a atenção, é um grosso.
Se não chama a atenção, não sabe se impor.

Se a prova é longa, não dá tempo.
Se a prova é curta, tira as chances do aluno.
Se escreve muito, não explica.
Se explica muito, o caderno não tem nada.

Se fala corretamente, ninguém entende.
Se fala a 'língua' do aluno, não tem vocabulário.
Se exige, é rude.
Se elogia, é debochado.

Se o aluno é reprovado, é perseguição.
Se o aluno é aprovado, deu 'mole'.

É ........ o professor está sempre errado, mas se conseguiu ler até aqui,
 *agradeça a ele*!


"MESMO QUE VOCÊ NÃO SEJA PROFESSOR, É PRECISO LEMBRAR QUE JÁ PRECISOU OU PRECISARÁ DE UM..."


Previsão do tempo


⛈️ PREVISÃO DO TEMPO...🌤️

Há dois dias, assim que abri o meu Facebook, havia no começo da minha linha do tempo, a seguinte mensagem: “TEMPO CHUVOSO EM MACEIÓ AMANHÃ. CUIDADO PARA NÃO SE MOLHAR, LÍDIA”. E eu já vislumbrei todos os transtornos que a chuva me traria e o frio que eu certamente sentiria, quando saísse de casa pra trabalhar, pois essas previsões são quase sempre muito certas.
Só que não choveu ontem como disseram. Quando amanheceu, havia um solzinho tímido dissipando a neblina, mas ele estava lá brilhando e contrariando a previsão tecnológica cuja margem de erro é mínima!
Ah, eu adoro quando a Natureza faz essas “pegadinhas” e contraria os cálculos da Ciência!
Na vida também é assim. Às vezes, uma pessoa tem tudo pra dar errado, mas não dá.
Ah, eu adoro quando Deus intervém e contraria a aparente ordem natural (e previsível) das coisas!
Pois é, estamos no inverno e todo mundo está dizendo que vamos sofrer com as pancadas de chuva, com o ar seco e com o frio. Mas se Deus quiser, Ele pode apagar as nuvens e fazer o sol brilhar... Por dentro e por fora da gente!

Lídia Vasconcelos


Gosto de gente


GOSTO DE GENTE

Gosto de gente que não disfarça fraquezas nem se gaba de ser forte.

Gosto de gente que é sem-vergonha, sem ser vulgar. Que aprende mais do que ensina. Que gosta de bicho, sem desgostar de gente. Que sabe dizer NÃO, sem magoar; e dizer SIM, sem enganar.

Gosto de gente simples, de gente que goza fácil, que ri à toa, que não tem vergonha de chorar, que não pede nada e, mesmo assim, se doa.

Gosto de gente que dança sem música, que canta no chuveiro, que assobia imitando passarinhos.

Gosto de gente que abraça por trás e fala pela frente. Que dá carona embaixo do guarda-chuva.

Ah! Eu adoro gente que valoriza cada segundo desta vida, mesmo sabendo que Deus já lhe deu a eternidade.

Lídia Vasconcelos


Açúcar da vida


AÇÚCAR DA VIDA

O amor é o açúcar da vida, e ponto.
Não se abstenha, não se sinta culpado, use no café, no chá, nos papos informais, nas conversas difíceis. Use também com familiares, com desconhecidos, com amigos, com os animais.
Não se preocupe com a dieta, não viva contando calorias de afeto, esqueça as balanças da desconfiança.
Corações em forma e na medida certa são os primeiros a sucumbir na hora da crise, pois não fazem reserva de energia, não se permitem o sobrepeso da felicidade.
Prefira o coração obeso, dulcíssimo!
O amor é o açúcar da vida, mantenha sua colher cheia.

Lídia Vasconcelos


Deficiência na alma


DEFICIÊNCIA NA ALMA

Um dia, quando era adolescente,
Por uma pessoa fui questionada:
- Já que você é uma menina crente,
Por que não pede pra ser curada?

Ela se referia à minha limitação:
Uma sequela de paralisia infantil;
Não pude participar da vacinação,
Que foi realizada em todo Brasil!

Eu ando de muletas desde criança,
E a minha vida sempre foi assim.
De caminhar, não tenho lembrança,
Talvez, por isso, não ache tão ruim.

Mas, voltando ao questionamento,
Que então deu início a essa história,
Martelou-me demais o pensamento,
E nunca mais me saiu da memória!

Realmente, sou uma pessoa de fé.
Acredito em cura, sim! Como não?
Sei que o meu Deus pode fazer até
Alguém passar pela ressurreição!

No entanto, essa minha deficiência
É de fato minha menor enfermidade!
Se eu pudesse, acionaria toda Ciência
Pra ter um pouco mais de humildade!

Queria também aprender a perdoar,
Porque tal coisa... Não é fácil, não!
As chagas do orgulho? Preciso curar,
Já contaminaram todo o meu coração.

Eu queria me livrar dos calos da inveja,
Que doem mais do que os calos da mão!
Certamente eu não teria risco de queda,
Se Deus tornasse meu caráter mais são!

É claro que há doenças bem mais graves
Minando, assim, toda a minha existência.
Não poder andar é o menor dos entraves,
Nem de longe é minha maior deficiência!

Um dia quero ser curada, com certeza!
E Deus o fará, por Sua bondade e amor.
Mas quero que a cura da alma preceda
À restauração da matéria que sente dor.

Lídia Vasconcelos


Moça ferida! Moça ferida!

Moça ferida! Moça ferida!

Faz alguns anos, mas me lembro como se fosse ontem. Eu havia acordado naquela manhã me sentindo uma ameba.
Sentia-me longe de Deus, achava que não era mais digna do Seu amor e da Sua proteção. Tantas perdas: o pai, o marido, a união familiar, a paz de espírito. Era doloroso acordar a cada manhã, pois eu temia que o novo dia trouxesse novas perdas e outras desgraças, mas eu tinha que trabalhar.
Em verdade, meu trabalho era a única coisa que ainda me dava prazer e a única razão por que eu não me entregava totalmente à depressão.
Todos os dias, na escola em que eu trabalhava, eu tinha que subir uma grande rampa para dar aulas no 2º piso. Então, para não ser “atropelada” pelos pequenos da Educação Infantil, eu subia antes deles ou depois. Esse era o meu secreto terror diário, pois a ideia de cair no meio daquelas crianças me apavorava.
Um dia, porém, não consegui chegar mais cedo para subir antes. Os meus alunos do Médio já haviam subido e, no pátio, enfileirados e inquietos: os meus pequenos algozes!
Apressei o passo. Subi o mais rápido que pude. Esforço inútil. As muletas não me obedeciam.
No meio do percurso, escutei atrás de mim um barulho feito uma manada desvairada. O meu coração disparou. “Meu Deus, é agora que eu vou morrer” – pensei, dramaticamente.
Mas lá no meio da turba, algo me chamou a atenção. Uma pequena voz se destacava naquele burburinho, gritando:
– Moça ferida! Moça ferida!
O meu desespero aumentou: “quem era que estava machucada”?
Espremi-me contra a parede e olhei para trás.
A poucos palmos de mim, estava um garotinho, de 6 ou 7 anos, com os braços abertos, tentando bravamente conter seus coleguinhas para não me atropelarem. A moça ferida... Era eu!
Fiquei ali, parada, em estado de surpresa e graça, vendo todas aquelas crianças respeitarem a ordem e a postura daquele garotinho.
Deus estava me provando, de forma suave e contundente, que jamais me abandonaria. Ele achou uma forma de me dizer que sempre me protegeria nas rampas da escola ou nos abismos emocionais da vida, nem que para isso tivesse que usar anjos em forma de crianças!

Lídia Vasconcelos